Entrevista


Gilvaní afirma que Edvaldo ‘esqueceu dos mais pobres’ e critica gestão: ‘tem recurso e ele foi desviado’


Publicado 07 de outubro de 2020 às 07:44     Por Fernanda Souto     Foto Arquivo pessoal

A candidata à prefeitura de Aracaju, Gilvaní Santos (PSTU), afirmou, em entrevista ao AjuNews, que a gestão do atual prefeito da capital e candidato à reeleição, Edvaldo Nogueira (PDT), tem mais pontos negativos do que positivos. “Então, não vejo pontos positivos, só vejo pontos negativos, porque tem riqueza, tem recurso e ele foi desviado, está sendo investigado. O que podia ser feito não foi feito, esse governo não atendeu às necessidades da população mais pobre”, avaliou.

Segundo a prefeiturável, na Educação, o atual gestor não conseguiu garantir direito básico, como o piso integral, para os servidores públicos da área da Educação, em seus quatro anos de gestão. “Temos que valorizar e incentivar a escola integral, mas também valorizar os profissionais, os servidores públicos, que infelizmente Edvaldo até agora não garantiu o piso integral dos servidores. O cara passou quatro anos no governo, e nem sequer garantiu um direito básico para os servidores públicos municipais”, disse.

À reportagem, Gilvaní também apontou seu diferencial em relação aos outros 10 adversários políticos na disputa eleitoral. “Oferecemos uma alternativa socialista. Essa alternativa é uma saída, na qual a gente tem como desafio maior colocar a classe trabalhadora no poder através dos conselhos populares, para que eles possam definir o recurso que é arrecadado pelo município. São os conselhos que vão definir as prioridades. Nós temos as propostas, mas eles que vão dizer o que tem que ser feito, pois são eles que vivem a vida difícil do dia a dia”.

Leia a entrevista completa abaixo:

AjuNews – Em sua caminhada na política, a senhora já tentou ser eleita ao Governo do Estado. Por que decidiu se candidatar à prefeita de Aracaju neste ano?
Gilvaní Santos: Nosso partido apresenta uma alternativa socialista com programa para saídas emergenciais para a classe trabalhadora, que busca envolver a população, trabalhadores, a periferia, os que mais sofrem com os problemas da pandemia, do desemprego, da fome; para poder construir um poder, com um governo participativo e direto. É esse povo, é essa população, é essa classe, que nós fazemos parte no dia a dia, vivenciando essas realidades. Seria legítimo que os trabalhadores participassem deste projeto. Sendo eu candidata, já tive a oportunidade de dialogar com vários trabalhadores e, inclusive, conhecer outros setores, porque eu venho do setor petroleiro e já vinha nessa luta com outros. Além de que é importante a gente ter a candidatura de mulher, candidaturas negras, candidaturas LGBTs, o povo da periferia para defender os interesses, as necessidades, para poder construir um governo que seja de fato seu, por isso que eu estou como candidata na chapa de trabalhadores, pela qual participamos de outras eleições, de quando fui candidata a governadora. Então, nesse sentido, nós estamos aí para responder essa necessidade da classe trabalhadora.

AjuNews – O que diferencia o seu projeto e do PSTU dos demais candidatos?
Gilvaní Santos: O que diferencia concretamente, primeiro, é porque tem aí a extrema direita, inclusive os partidos da esquerda que são reformistas, de conciliação de classes, como o PT, o PSOL, e o PCdoB, partidos que tem como estratégia política a manutenção do capitalismo, políticas que buscam concessões muito limitadas. Então, oferecemos uma alternativa socialista. Essa alternativa é uma saída, na qual a gente tem como desafio maior colocar a classe trabalhadora no poder através dos conselhos populares, para que eles possam definir o recurso que é arrecadado pelo município. São os conselhos que vão definir as prioridades. Nós temos as propostas, mas eles que vão dizer o que tem que ser feito, pois são eles que vivem a vida difícil do dia a dia. Nosso diferencial é que nós vamos ouvir os trabalhadores, o setor mais atingido, que trabalha, que produz, mas não tem acesso a essa produção. Os outros nunca ouviram os trabalhadores.

AjuNews – Caso seja eleita prefeita de Aracaju, quais serão as prioridades da sua gestão?
Gilvaní Santos: Na verdade elas são muito combinadas, tem a ver com a realidade concreta, que não são deslocadas das outras, por exemplo, a defesa da vida, porque nós vemos aí como a vida está ameaçada com a questão do coronavírus e da fome. Nós estamos em uma cidade em que mais de 50% da população tem algum tipo de insegurança alimentar, ou seja, tá passando fome, tá passando necessidade. Tem a questão do desemprego absurdo, o que afeta principalmente o povo mais pobre. A questão da renda, porque com a pandemia, o governo tinha combinado, inicialmente, junto aos congressistas de pagar os R$ 600 [do auxílio emergencial], mas já baixou para os R$ 300, e tem pessoas que nem receberam a primeira parcela, e quando forem receber vão receber esses R$ 300, provavelmente. Ou seja, era para os governos estaduais e federal estarem garantindo esse complemento, nós defendemos que seja complementado, para os trabalhadores e os necessitados. E outra coisa é a questão das pequenas e médias empresas terem a garantia de pegar um empréstimo sem juros para conseguirem sobreviver, pois o setor está se quebrando também, e pode piorar com a crise que está aumentando, a crise econômica, política, capitalista. Outra questão é a alimentação, porque na nossa cidade há muita insegurança alimentar, que atinge mais de 50% da população. A questão da moradia, pois Aracaju tem um déficit subnotificado de mais de 25 mil habitações, ou seja, 25 mil famílias precisam de moradias. A questão dos direitos, como a saúde de qualidade. Nós defendemos que o SUS seja 100% estatal, porque aqui no estado, 60% do recurso público é investido no setor privado. Defendemos que todo o recurso seja investido no SUS. Na questão da educação, porque o Indeb foi um dos piores. Temos que valorizar e incentivar a escola integral, mas também valorizar os profissionais, os servidores públicos, que infelizmente Edvaldo até agora não garantiu o piso integral dos servidores. O cara passou quatro anos no governo, e nem sequer garantiu um direito básico para os servidores públicos municipais. Tem a questão da corrupção muito forte no hospital de campanha com o envolvimento do secretário do governo, com desvio de verba até para a campanha do coronavírus e outros serviços, como a licitação da empresa do lixo. Outro ponto importante é a luta contra as opressões. As opressões são utilizadas pelos governos com a combinação do machismo, racismo e lgbtfobia. Nosso programa irá resolver essa questão, primeiro tem que garantir a renda, garantir o emprego para as mulheres, garantir as delegacias de mulheres, ampliar essa rede porque só tem uma em Aracaju, fazer campanhas de combate à violência, ao racismo, a lgbtfobia. Nosso programa tem 16 pontos de propostas para todas essas questões.

AjuNews – Como a senhora avalia a gestão do atual prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira? Existem pontos negativos e positivos?
Gilvaní Santos: São mais pontos negativos, porque teve uma oportunidade de ouvir a população, de priorizar a vida das pessoas, a saúde das pessoas. Mas, teve uma posição, ficou a mercê do governo federal, quando liberou geral, quando não garantiu a renda, quando não melhorou a questão da educação, não garantiu as creches, ou seja, as promessas de Edvaldo, como o plano habitacional para as famílias que precisavam, não foram cumpridas. E, inclusive, no meio da pandemia, ele resolveu garantir um plano para 800 famílias, quando na verdade era 1 mil. Algumas conseguiram o auxílio-moradia, mas 200 famílias não conseguiram, ele tirou o local em que elas ocupavam sem garantir nada, sem segurança. Então, não vejo pontos positivos, só vejo pontos negativos, porque tem riqueza, tem recurso e ele foi desviado, está sendo investigado. O que podia ser feito não foi feito, esse governo não atendeu às necessidades da população mais pobre.

AjuNews – Como sua equipe vai trabalhar para reverter o resultado apontado em pesquisas eleitorais que indicam vantagem de Edvaldo Nogueira e Danielle Garcia?
Gilvaní Santos: Nós estamos buscando levar nosso programa através das redes sociais, fazendo reuniões e, claro, garantindo a questão da segurança por conta do coronavírus. Vamos até locais com vários trabalhadores, levar nossos materiais, conversar, pedir apoio. Nós vamos mostrar aos trabalhadores que nosso programa é o único que tem condições de tirar Aracaju desse caos que se encontra. A tendência é que as pessoas enxerguem isso, porque essas duas candidaturas vem para manter a mesma situação que está, porque não vão fazer nenhum tipo de ruptura com o sistema capitalista, com os grandes beneficiários, como as grandes empresas, banqueiros, construtoras, empresas de trabalho com serviço precários, pois as propostas deles são o mesmo do mesmo, e a nossa vai ser uma alternativa daqueles que sentem o dia a dia na pele.

AjuNews – Como avalia o avanço da direita no país, principalmente, durante o governo de Bolsonaro?
Gilvaní Santos: Esse avanço da direita tem a ver como vários elementos. Um deles foi esse espaço vazio deixado pelo próprio governo petista, tanto em nível federal, quanto a nível estadual, que ao governar com conciliação de classe, favorecendo os mais ricos, atacando os direitos dos trabalhadores, os trabalhadores foram desacreditando nesse projeto que não deu certo, pois manteve o capitalismo. Isso é preocupante aqui no município, porque está crescendo, mas precisamos entender que vários candidatos delegados não representam a classe trabalhadora, e sim uma política que vai aprofundar mais ainda o ataque aos setores mais pobres, vai aumentar a fome, a miséria, porque eles estão juntos com Bolsonaro para acabar com o serviço público, ou precarizar ao máximo, e acabar com as estatais que é onde emprega e tem capacidade de prestar serviço gratuito ao público.



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