As disparidades regionais agravam a mortalidade de covid-19 no Brasil, internamente e em relação a outros países. É o resultado de um estudo publicado na revista científica The Lancet Respiratory Medicine, e a maior já divulgada sobre o assunto no mundo.
O estudo analisou, segundo a Folha de São Paulo, 254.288 mil pacientes com idade média de 60 anos, internados em hospitais públicos e privados entre fevereiro e agosto de 2020. A conclusão foi que, no Brasil, regiões como Norte e Centro-Oeste tiveram 17% de paciente intubados fora da UTI, contra 13% do Sudeste e 8% do Sul.
No Norte e no Nordeste, os índices de mortalidade hospitalar por covid-19 chegaram a 50% e 48%, enquanto foram de 35% no Centro-Oeste, 34% no Sudeste e 31% no Sul. A mortalidade geral de pacientes na UTi foi de 55%, mas chegou a 79% e 66% no Norte e no Nordeste. Já no Sul foi de 53%, no Centro-Oeste foi de 51%; e no Sudeste de 49%.
Entre as internações analisadas, 47% dos pacientes tinham menos de 60 anos, 16% não tinham comorbidades e 72% receberam suporte respiratório na internação. A mortalidade geral foi de 38% e aumentou de acordo com avanço da idade e de complicações.
Nas mortes hospitalares, a maioria foi entre pacientes analfabetos com 63%; negros com 43%; e indígenas com 42%. As maiores complicações associadas a mortes foram de baixo nível de oxigênio, com 45%; dificuldade respiratória com 43%; e dispneia com 41%.
O estudo identificou como grande problema a distribuição regional de hospitais e leitos de UTI. A quantidade de leitos no Sudeste, por exemplo, segundo a Folha, era duas vezes maior que o Norte no começo da pandemia. A pesquisa também identificou muita atenção a tais recursos, mas pouca atenção ao treinamento de profissionais de saúde.
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