O contribuinte brasileiro pode estar próximo de aposentar o velho programa do Imposto de Renda. Em 1º de junho de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que, dentro de dois ou três anos, a obrigação de preencher e enviar a declaração anual deve ser totalmente substituída por um sistema automatizado. A mudança faz parte de um conjunto de medidas de modernização da Receita Federal que mira simplificar processos e reduzir custos de conformidade para a população.
Segundo Durigan, a Receita já trabalha no desenvolvimento de uma plataforma capaz de cruzar informações financeiras de diversas bases oficiais e privadas, como dados bancários, registros de empresas, planos de saúde e investimentos. A ideia é que o Fisco consolide esses dados ao longo do ano e apresente ao cidadão uma declaração praticamente pronta, cabendo a ele apenas revisar e validar as informações antes do envio definitivo.
“Não é possível que, com todo mundo já tendo declarado no dia a dia suas obrigações para a Receita, nós ainda vamos obrigar o contribuinte a parar, gastar tempo útil da sua vida – seja de trabalho, seja de descanso – para prestar informações que, muitas vezes, a gente já tem”, disse o ministro.
O projeto nasceu em março de 2026, quando Durigan cobrou oficialmente da Receita um sistema que dispensasse o preenchimento manual. O pedido se apoiou na experiência bem-sucedida do modelo pré-preenchido, disponível desde 2023 e utilizado por cerca de 60% dos declarantes em 2026. Esse percentual, segundo o próprio órgão, deve chegar a 100% quando a nova integração de dados estiver concluída.
Além de aliviar a rotina dos contribuintes, a automação também pretende reforçar a qualidade das informações prestadas ao Fisco, reduzindo omissões e erros que costumam levar milhares de declarações para a malha fina todos os anos. A Receita avalia que a coleta direta de dados de fontes pagadoras e instituições financeiras aumenta a precisão e diminui disputas sobre rendimentos declarados.
“Então veja, no ano que vem eu quero aumentar essa desobrigação; esse alívio para as pessoas. Espero que em dois ou três anos todo mundo fique sem a declaração de Imposto de Renda”, reforçou Durigan.
O ministro também destacou que 2026 registrou marcas históricas em restituições. O último lote liberado em 31 de maio somou o maior valor já devolvido aos contribuintes em um único pagamento. Para Durigan, a capacidade de processar restituições recordes demonstra que a Receita está preparada para passos mais ambiciosos de digitalização.
“Como a gente tem um país informatizado, essas informações vão sendo colocadas no sistema, e a pessoa precisa validar simplesmente”, acrescentou.
Enquanto o modelo totalmente automático não chega, a Receita incentiva que mais pessoas adotem a versão pré-preenchida em 2027, quando novas fontes de dados, como corretoras e operadoras de saúde, passarão a fornecer informações em tempo real. A pasta avalia que o uso maciço dessa modalidade será o teste final antes de extinguir de vez a obrigação anual.
Durigan ressaltou ainda que o processo será gradual, com fases de validação e acompanhamento para evitar contratempos. A expectativa oficial é de que, até 2029, a declaração manual faça parte do passado e o cidadão ganhe tempo para outras atividades, enquanto o Estado ganha precisão no controle tributário.
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