Desde 25/05, trabalhadores com carteira assinada ganharam um reforço importante para reorganizar as finanças: o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode ser usado para renegociar débitos no Novo Desenrola Brasil. A medida, anunciada em 30/05, abre caminho para que parte dos R$ 8,2 bilhões projetados pelo Ministério do Trabalho e Emprego circule na economia, reduzindo a inadimplência e devolvendo poder de compra a milhões de famílias.
O programa, também chamado de Desenrola 2.0, contempla empregados formais que recebem até cinco salários mínimos — o equivalente a R$ 8.105 em 2026 — e que possuam dívidas contraídas até 31/01/2026 com atraso entre 91 e 720 dias. Entram na lista pendências de cartão de crédito, cheque especial e Crédito Direto ao Consumidor (CDC), modalidades que concentram grande parte dos juros mais altos do mercado.
Pela regra, o interessado pode direcionar até 20% do saldo do FGTS, ou R$ 1.000 — prevalecendo o maior valor — para amortizar ou quitar o débito. Contas ativas e inativas estão liberadas, com prioridade para as inativas. O valor disponível já é exibido no aplicativo oficial do FGTS para Android e iOS.
“O uso do FGTS suspenderá temporariamente novos saques anuais e antecipações do saque-aniversário até que o saldo seja recomposto”, informou o Ministério da Fazenda, que coordena a iniciativa.
Quem aderir terá acesso a condições consideradas mais vantajosas que as praticadas no mercado: descontos que podem chegar a 90% sobre o montante original, taxa de juros limitada a 1,99% ao mês e possibilidade de parcelamento de 12 a 48 vezes. Além disso, diferentes dívidas podem ser consolidadas em uma única operação, facilitando o controle do orçamento doméstico.
Para participar, o primeiro passo é autorizar, no aplicativo do FGTS, o acesso das instituições financeiras ao saldo. O login é feito com CPF e senha da plataforma Gov.br. Em seguida, o trabalhador deve procurar o banco credor, indicar a adesão ao Novo Desenrola e negociar as condições. As instituições contam com prazo de até 90 dias para consultar o valor liberado.
Todo o processo pode ser realizado sem a necessidade de comparecer a agências da Caixa Econômica Federal. A formalização eletrônica da renegociação deve ocorrer em até 30 dias após a consulta do saldo. Concluída essa etapa, a Caixa, gestora do FGTS, transfere o valor diretamente para o banco que detém o contrato, garantindo a quitação ou amortização.
O governo espera que a medida diminua o volume de contas em atraso e alivie a pressão sobre linhas de crédito mais caras. Especialistas em finanças pessoais recomendam aproveitar o desconto máximo e, sempre que possível, optar pela quitação integral, economizando nos juros futuros.
Com o FGTS transformado em ferramenta de educação financeira, o Novo Desenrola Brasil alinha interesses de trabalhadores, bancos e governo. Ao estimular a retirada de milhões de nomes de cadastros restritivos, o programa pretende fomentar o consumo responsável, destravar investimentos e dar novo fôlego ao mercado interno ao longo de 2026.
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