O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), fez uma avaliação sobre o resultado obtido pelo PCdoB e pelo campo da esquerda nas eleições municipais deste ano e detectou um cenário negativo, que, segundo ele, deverá gerar nos próximos meses uma série de movimentos com o objetivo de garantir a sobrevivência da legenda mais antiga do país. As informações são do site Metrópoles.
De acordo com a publicação, Dino se projeta para a disputa em 2022 como presidente da República, mas terá que buscar meios para viabilizar sua candidatura. O governador descartou qualquer possibilidade de saída do partido. Para ele, qualquer projeto que envolva seu nome, necessariamente tem o envolvimento da legenda ou o que resultará das ações do seu grupo político.
“Não vou fazer nenhum movimento que não seja debatido com o PCdoB, porque eu tenho muito vínculo, amizade e lealdade. Minha tendência é esperar o debate com o PCdoB, e não um movimento individual”, disse ao site.
Nesta semana, o ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB) chegou a usar as redes sociais para dizer que Dino já estaria acertando sua ida para o PSB. Novamente, integrantes do partido reclamaram da “falta de respeito” com a sigla. O ex-líder e ex-candidato em São Paulo Orlando Silva, criticou abertamente a fala de França.
Ainda de acordo com a reportagem, entre as ações para garantir a sobrevivência do quase centenário PCdoB está inclusive a discussão interna sobre o nome da legenda, reconhecidamente alvo de preconceito pelo termo “comunista”. “Mais que uma questão de nome e símbolo, é um debate mais geral, que abrange essa possibilidade de mudar de nome”, disse o governador.
“Não é um debate novo, e ele será percorrido agora em 2021 pelo PCdoB”, acrescentou ele ao site. Para ele, a discussão será inevitável, “menos pela questão do preconceito” e mais pela necessidade de se cumprir as exigências da lei na chamada “cláusula de barreira”.
Cláusula de barreira
O mecanismo foi recriado em 2017, e prevê a utilização das eleições nacionais como base de cálculo, o pleito no qual os brasileiros escolhem presidente, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais.
Pela regra, em 2018, por exemplo, última eleição geral, para superar a cláusula as legendas precisariam obter pelo menos 1,5% dos votos válidos em nove estados, e no mínimo 1% em cada uma das unidades federativas. Na próxima, em 2022, esse índice será de 2% (ou eleger 11 deputados federais). Esse indicador foi desenhado para aumentar de forma progressiva. Em 2030, esse piso deverá ser de 3%.
Comunismo
Dino acredita que as eleições deste ano tiveram um alto grau de preconceito em relação ao “comunismo”, embora ele não considere que esse tenha sido um fator decisivo para o baixo desempenho da sigla. A sigla elegeu 82 prefeitos em 2016, número que caiu para 46 neste ano.
Desempenho
Partido mais antigo do Brasil, o quase centenário PCdoB amargou uma perda considerável de prefeituras e de vagas nos legislativos estaduais nesta eleição, a primeira sem o critério da proporcionalidade das coligações que muitas vezes rendeu cargos à legenda, associada principalmente ao PT.
O número de prefeituras comandadas pelo PCdoB caiu de 82 para 46. O número de vereadores eleitos também encolheu. A legenda tinha 1.010 representantes nos legislativos municipais eleitos em 2016, e fez agora apenas 695.
Pequenas comemorações
Diante do resultado nacional o partido, no entanto, o PCdoB comemorou crescimento em dois estados. Na Bahia, passou de 10 prefeituras para 16, embora tenha perdido as eleições na capital, Salvador. Na Câmara de Vereadores de Salvador, o partido manteve as duas cadeiras que conquistou em 2016.
No Maranhão, comandado por Dino, o partido elegeu 22 prefeitos no interior do estado e quatro vereadores na capital. Ele, porém, não conseguiu emplacar seu nome em São Luís. Rubens Júnior ficou em quarto lugar com 54.155 votos (10,58%).
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