Brasília – O Banco de Brasília (BRB) tornou-se sócio de fundos que controlam uma vasta rede de restaurantes e centros de compras após a descoberta de fraudes na negociação que envolveu o Banco Master. A medida foi adotada para compensar prejuízos gerados pela venda de títulos considerados fraudulentos ao banco estatal, segundo revelou a CNN.
De acordo com a apuração, o Master transferiu ao BRB ativos correspondentes a participações em fundos de investimento imobiliário e de participações (FIPs). Esses veículos administram mais de 100 restaurantes espalhados pelo país e quatro shoppings centers, localizados em diferentes regiões. Com a operação, o BRB passou a deter cotas desses fundos e, por consequência, ingressou formalmente na sociedade que reúne os empreendimentos.
A cessão de ativos surgiu como solução para abater as perdas provocadas pela comercialização de títulos que, posteriormente, foram classificados como irregulares. Segundo as informações divulgadas, a fraude teria ocorrido na etapa de originação desses papéis, antes de serem repassados ao BRB. Ao constatar o problema, as instituições ajustaram a operação mediante o repasse de bens já presentes nos fundos controlados pelo Master.
Com a movimentação, o banco brasiliense transforma-se em parceiro indireto de grandes grupos do setor de alimentação fora do lar, proprietários de franquias distribuídas em praças de alimentação de aeroportos, rodoviárias e centros comerciais. Além disso, a presença em quatro shoppings amplia a exposição do BRB ao mercado de varejo, ainda que de modo passivo, via cotas de fundos.
O valor financeiro exato dos ativos transferidos não foi revelado. Fontes próximas ao processo afirmam que a avaliação buscou igualar o montante das perdas identificadas na carteira de títulos problemáticos. A operação não envolveu desembolso adicional de recursos por parte do BRB, sendo estruturada como compensação patrimonial.
Mesmo com o novo perfil de participação, o BRB segue concentrado no core business bancário e não pretende assumir gestão direta dos restaurantes ou dos shoppings. A administração continua a cargo dos gestores profissionais dos fundos, enquanto o banco passa a acompanhar os resultados e a receber eventuais dividendos proporcionais a suas cotas.
Integrantes do mercado financeiro avaliam que o caso expõe riscos de due diligence insuficiente em operações de crédito estruturado. Já o BRB informa, em notas anteriores sobre o tema, que reforçou protocolos de verificação de ativos e que as medidas tomadas visam resguardar o patrimônio público e os interesses de seus acionistas.
Com informações de Claudiodantas
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