O presidente Jair Bolsonaro, mesmo tendo afirmado que acabou com a Lava Jato porque não existe mais corrupção em seu governo, a sua gestão acumula ao menos sete casos envolvendo a suspeita de crimes de colarinho branco ou improbidade administrativa relacionados ao próprio presidente e a seus auxiliares no Executivo e no Congresso. De acordo com o levantamento realizado pelo UOL, que selecionou apenas aqueles casos que já resultaram em inquérito policial, acusação formal do Ministério Público ou condenação, os representantes de governo de Jair Bolsonaro que cuidam do tema não quiseram comentar o assunto.
Os integrantes da lista divulgada pelo UOL são: o presidente Jair Bolsonaro, por interferência na polícia; o secretário de Comunicação Fábio Wajngarten, por conta de verbas de publicidade; o ministro de Turismo, Marcelo Álvaro, pelo caso laranjal; o ministro da Cidadania, Onix Lorenzon, pelo caso de Caixa 2 da JBS; o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por fraude e mineração; o ex-vice-líder do governo no Senado, Chico Rodrigues, no caso da Operação Descovid-19; e o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, pelo caso da venda de usina.
Procurado pelo site, os ministros André Mendonça (Justiça) e Wagner Rosário (CGU) não indicaram representantes para conceder entrevistas. Também não quiseram tratar das denúncias de “retrocessos” na prevenção e combate à corrupção apresentadas pela Transparência Internacional para a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos) e o Gafi (Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo).
De acordo com o UOL, a Transparência Internacional cita o inquérito no qual Bolsonaro responde por crimes como corrupção passiva por suposta interferência na Polícia Federal para proteger amigos e familiares, como seu primogênito, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). A ONG menciona a falta de explicações para depósitos na conta bancária da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, vindos da família de Fabrício Queiroz, suspeito de ser operador de “rachadinhas” do senador quando era deputado estadual no Rio.
O diretor da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão disse ao site que governos autoritários costumam usar a luta anticorrupção em seu favor. “Na história, são diversos os episódios em que forças autoritárias e populistas tomam o poder através do discurso anticorrupção e, quando tomam poder, o primeiro a sofrer é arcabouço anticorrupção, porque, por essência, ele é um limitador do poder de ocasião”.
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