Na 81ª Assembleia-Geral da ONU, António Guterres alertou para guerras, desigualdade e crise climática. Ele também disse que os avanços da inteligência artificial trazem riscos e exigem ação global.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, abriu HOJE, 22 de setembro, a 81ª Assembleia-Geral com um apelo enfático a todos os países-membros. Falando no plenário em Nova Iorque, ele apontou que o planeta enfrenta uma combinação perigosa de conflitos armados, aprofundamento da desigualdade, crise climática e avanços acelerados da inteligência artificial (IA), fatores que, segundo disse, podem definir o destino comum da humanidade nas próximas décadas.
Guterres afirmou que o mundo atravessa quatro “grandes testes de poder”. O primeiro é o ressurgimento de guerras e disputas regionais, que ameaçam civis e trabalhadores humanitários em diferentes continentes. Em seguida vem a desigualdade econômica e social, cuja escalada corrói instituições e desperta tensões internas em diversos países. A terceira prova envolve os efeitos das mudanças climáticas, que já se manifestam em enchentes, secas prolongadas e recordes de temperatura. Por fim, comentou o avanço tecnológico acelerado, com destaque para a IA, que, avaliou, cresce em velocidade superior à capacidade humana de compreender totalmente seus impactos.
“Nosso futuro será moldado pela forma como enfrentarmos quatro grandes testes de poder”, declarou.
Ao abordar conflitos específicos, o secretário-geral citou os cenários no Oriente Médio, na Ucrânia, no Sudão e em Mianmar como exemplos de situações em que a força se sobrepõe à diplomacia e a responsabilização não acontece. Para ele, esses episódios revelam uma narrativa única: a de um poder fora de controle, onde as estruturas multilaterais perdem eficácia e a confiança entre nações diminui.
Guterres lembrou que seu segundo mandato de cinco anos termina em dezembro, transformando o discurso desta terça-feira em sua última abertura de assembleia como líder máximo da ONU. Mesmo assim, reforçou que pretende utilizar os meses restantes para tentar avançar em consensos mínimos sobre paz, segurança e governança global.
“Não estamos diante de crises separadas. Estamos diante de capítulos de uma mesma história: a história do poder — como ele é usado e como está mudando.”
Sobre inteligência artificial, alertou para o risco de que algoritmos sejam desenvolvidos sem a devida responsabilização ética, jurídica e social. Para ilustrar, citou relatos de especialistas que já se sentem incapazes de prever totalmente as consequências de ferramentas que eles próprios ajudaram a criar.
“Mesmo aqueles que criaram a inteligência artificial dizem que estão ficando cegos diante dela. O perigo não é a tecnologia. O perigo é a tecnologia sem responsabilidade.”
No encerramento, conclamou governos, setor privado e sociedade civil a fortalecerem diálogo, transparência e cooperação. A seu ver, somente um compromisso global poderá atenuar as ameaças descritas e restaurar a confiança entre os povos, tema oficialmente escolhido para a assembleia deste ano.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









