O mês de maio terminou com fortes turbulências para o mercado financeiro brasileiro. No pregão de sexta-feira, 29 de maio de 2026, o Ibovespa recuou 0,73% e encerrou aos 173.787,49 pontos. O desempenho negativo do dia selou uma queda acumulada de 7,22% no mês, a mais acentuada desde fevereiro de 2023, quando a bolsa despencou 7,5%. Já o dólar comercial subiu 1,82% em maio e voltou a fechar acima da barreira dos R$ 5, cotado a R$ 5,0453.
“A bolsa de valores B3 fechou maio com queda acumulada de 7,22%, no pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023”
A sequência de perdas já dura sete semanas consecutivas. Entre o recorde histórico registrado em abril, na casa dos 187 mil pontos, e o fechamento do último pregão, o índice perdeu quase 14 mil pontos. Mesmo assim, ainda ostenta ganho de 7,86% no acumulado de 2026.
Durante a sessão de 29 de maio, o Ibovespa tocou a mínima intradiária de 172.686,36 pontos, pressionado principalmente pelas ações ligadas a commodities e pelo setor bancário. Analistas apontam que a aversão ao risco ganhou força com a saída de capital estrangeiro: somente entre 1.º e 27 de maio, o fluxo líquido negativo somou R$ 14,1 bilhões.
No exterior, investidores redirecionaram recursos para empresas de tecnologia nos Estados Unidos e na Ásia. Esse movimento sustentou novos recordes em Wall Street — o Nasdaq avançou 8,36% no mês, enquanto o S&P 500 ganhou 5,15%.
No câmbio, o dólar chegou a bater R$ 5,07 pela manhã, mas perdeu fôlego ao longo do dia. A valorização de 1,82% em maio contrasta com o recuo de 4,36% registrado em abril. Para economistas, a alta reflete a expectativa de juros mais elevados por mais tempo tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, além do impacto do esvaziamento de posições na B3.
O cenário interno foi inflado pelos números do Produto Interno Bruto: o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 29 de maio que a economia cresceu 1,1% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2025, superando projeções e levantando dúvidas sobre a velocidade de cortes adicionais da Selic.
Fatores geopolíticos também pairaram sobre as mesas de operação. O governo norte-americano decidiu, em 27 de maio, classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras — tema que adicionou incerteza ao mercado brasileiro.
No mercado de commodities, o petróleo registrou a pior performance mensal do ano. O barril do Brent recuou 17,4% em maio, fechando a US$ 91,12. O WTI caiu 16,8%, para US$ 87,36. Os preços cederam após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicar a possibilidade de um acordo com o Irã que poderia aliviar tensões no Estreito de Ormuz e aumentar a oferta global.
A queda das cotações internacionais derrubou os papéis da Petrobras e de outras companhias de energia listadas na B3, contribuindo para o tombo do Ibovespa. Para o estrategista financeiro Marcelo Brandão, o investidor deve redobrar a atenção.
“O ambiente externo ainda é desafiador e, enquanto houver saída de capital, a bolsa brasileira continuará vulnerável”,
avaliou.
Com a volatilidade em alta, participantes do mercado voltam as atenções para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 18 e 19 de junho, e para dados de inflação nos Estados Unidos que podem redefinir apostas sobre o início dos cortes de juros pelo Federal Reserve.
Siga o AjuNews e entre no nosso grupo de notícias de Aracaju.









