Deputadas denunciam a falta de amparo em relação aos ataques machistas que elas mesmas sofrem no Congresso Nacional. O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados não acolheu nenhuma representação de deputadas em 20 anos, que denunciaram violência política de gênero dentro do centro das decisões políticas do país. As informações foram publicadas pelo Metrópoles, neste sábado (2).
Os dados fazem parte do estudo “Debaixo do Tapete: A Violência Política de Gênero e o Silêncio do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados”, da doutora Tássia Rabelo de Pinho, docente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A pesquisadora fez um levantamento com dados disponibilizados no site da Câmara dos Deputados, no período entre 2001 e 2018.
De acordo com a pesquisa, ao todo, o Conselho de Ética recebeu 150 representações. Destas, 120 foram arquivadas, sendo que 58 não foram apreciadas. “Neste amplo, mas pouco eficaz universo, foram classificados enquanto denúncias de violência política de gênero sete casos”, descreve a pesquisadora.
“Trabalhei na Câmara dos Deputados depois de ter passado pelo Executivo, ONGs e universidades. Senti que era um espaço muito machista”, contou Tássia Rabelo. Além das representações, a pesquisadora também avaliou notas taquigráficas, vídeos e debates dentro do Conselho de Ética.
Segundo a reportagem, a primeira representação que foi denominada como violência política de gênero é a nº 36 de 2014, impetrada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), juntamente com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), PSOL e o Partido Socialista Brasileiro (PSB), contra o então deputado Jair Bolsonaro.
A polêmica iniciou quando o Bolsonaro afirmou que não estupraria a deputada Maria do Rosário porque ela “não merecia”. “A representação incluía ainda ofensas injuriosas, difamantes e caluniosas contra a deputada e a presidenta Dilma Rousseff. Ambas foram acusadas por Bolsonaro de participarem de atos criminosos”, destaca o artigo.
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