IBGE divulgou hoje (26) que a prévia da inflação teve o nível mais baixo desde 2022, puxada pelo desconto do bônus de Itaipu na conta de luz e pela queda dos preços dos alimentos. Acumula 4,24% em 12 meses.
A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), encerra agosto em -0,40%, menor patamar desde agosto de 2022, quando registrou -0,73%. Os números foram divulgados HOJE (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e refletem principalmente o desconto do Bônus de Itaipu nas contas de luz e a retração nos preços de produtos alimentícios.
Em julho, o IPCA-15 havia ficado em 0,06%. Com o resultado de agora, o indicador acumula alta de 4,24% nos últimos 12 meses, dentro da margem de tolerância da meta de 3% estabelecida para a política monetária.
O IBGE apurou nove grupos de produtos e serviços; em cinco deles houve deflação. A queda mais expressiva aconteceu em Habitação, influenciada pela eletricidade residencial, que cedeu 6,25% e sozinha subtraiu 0,26 ponto percentual do índice global. Segundo técnicos do instituto, o impulso veio do bônus aplicado à tarifa de energia a partir dos recursos da hidrelétrica de Itaipu.
Variação por grupo de produtos e serviços
- Alimentação e bebidas: -0,57% (-0,12 p.p.)
- Habitação: -1,41% (-0,22 p.p.)
- Artigos de residência: 0,04% (0 p.p.)
- Vestuário: -0,20% (-0,01 p.p.)
- Transportes: -1,00% (-0,20 p.p.)
- Saúde e cuidados pessoais: 0,40% (+0,05 p.p.)
- Despesas pessoais: 0,66% (+0,07 p.p.)
- Educação: 0,46% (+0,03 p.p.)
- Comunicação: -0,02% (0 p.p.)
No segmento de Alimentação e bebidas, a retração foi impulsionada pelas compras para consumo em casa, que ficaram, em média, 0,97% mais baratas.
Produtos alimentícios com maior queda
- Tomate: -27,38%
- Batata-inglesa: -25,14%
- Cenoura: -17,05%
- Café moído: -2,31%
Já em Transportes, a tarifa aérea despencou 13,30%. Os combustíveis também colaboraram: etanol (-3,63%), gasolina (-1,23%) e óleo diesel (-0,71%) mostraram alívio, contribuindo para a deflação de 1,43% dentro do grupo.
O IPCA-15 utiliza a mesma cesta de produtos do IPCA “cheio”, mas realiza a coleta de preços entre 16 de julho e 14 de agosto, antecipando a tendência do mês. A sondagem cobre famílias com renda de um a 40 salários mínimos (hoje em R$ 1.621) e abrange 11 localidades, enquanto o IPCA regular pesquisa 16 regiões.
Atualmente, o IPCA-15 monitora 367 itens, dez a menos que o índice oficial. Além das capitais das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza e Belém, entram no cálculo Brasília e Goiânia.
A divulgação do IPCA de agosto está marcada para 11 de setembro. Projeção colhida pelo Banco Central no último Boletim Focus, divulgado em 24/08, aponta expectativa de variação de -0,18% para o índice fechado do mês.
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