As liquidações extrajudiciais de instituições financeiras associadas ao Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, projetam um impacto de R$ 51,8 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O valor corresponde à maior cobertura já acionada desde a criação do mecanismo de proteção aos depositantes.
O montante bilionário diz respeito ao ressarcimento que o FGC terá de desembolsar para honrar garantias de depósitos e outros instrumentos financeiros mantidos pelos clientes das entidades em processo de encerramento. Até então, nenhuma intervenção havia provocado despesa de tamanho porte para o fundo, que é sustentado por contribuições periódicas do próprio sistema bancário.
A definição do passivo ocorre em meio à sequência de liquidações determinadas pelo Banco Central. Na manhã desta quinta-feira (18), a autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição que atuou no mercado sob a marca Voiter até 2023. Embora o Banco Pleno não pertença ao conglomerado Master, a decisão amplia o número de bancos que entram simultaneamente em regime de fechamento compulsório, cenário que reforça a pressão sobre o FGC.
A intervenção mais recente soma-se às ordens de liquidação já expedidas contra outras empresas financeiras vinculadas ao grupo de Vorcaro. Todas elas passarão por processos de levantamento de ativos, venda de carteiras e pagamento de credores, etapas que, por imposição legal, contam com a cobertura do FGC até os limites estabelecidos para cada categoria de produto.
Com o desembolso previsto de R$ 51,8 bilhões, o fundo de garantia deverá mobilizar parte relevante de seu patrimônio para cumprir as obrigações junto aos correntistas e investidores afetados. A cifra sobrepõe qualquer precedente registrado na história recente e coloca o setor em estado de atenção para eventuais novas necessidades de capitalização do próprio FGC.
Segundo o Banco Central, a adoção da liquidação extrajudicial ocorre quando há comprovação de grave comprometimento patrimonial ou de irregularidades consideradas irreversíveis nas instituições. Nessa fase, os controladores perdem a gestão dos negócios, e um liquidante nomeado pela autoridade assume o comando para conduzir a apuração de ativos e passivos.
O calendário para pagamento das garantias ainda será detalhado pelo FGC, que informará prazos, canais de atendimento e procedimentos a serem seguidos pelos clientes atingidos. Até lá, continuam suspensas as operações regulares das instituições em liquidação.
Com informações de Claudiodantas
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