Após desistir da candidatura à Presidência da República, o ex-ministro Sergio Moro (União Brasil) afirmou, nesta sexta-feira (1º), que “não desistiu de nada” e não será candidato a deputado federal nas eleições deste ano. As declarações do ex-juiz provocaram ameaças de impugnação do registro no partido no qual se filiou na quinta (31).
A possibilidade de disputar uma cadeira na Câmara vinha sendo cogitada como alternativa após Moro trocar o Podemos pelo União Brasil. A troca havia sido feita com a condição de ele não disputar ao Executivo. No entanto, em pronunciamento, ele negou que vá concorrer a uma vaga na Câmara para obter foro privilegiado.
“Não tenho ambição por cargos. Se tivesse, teria permanecido juiz federal ou ministro da Justiça. Não tenho necessidade de foro ou outros privilégios que sempre repudiei e defendo a extinção. Aliás, não serei candidato a deputado federal”, afirmou.
Moro chegou a ser apresentado como pré-candidato à Presidência quando se filiou ao Podemos, em novembro do ano passado. Na sigla, ele enfrentava resistências internas, sobretudo dos deputados, que não estavam dispostos a ceder parte do fundo eleitoral para a campanha ao Planalto. O ex-ministro da Justiça aparecia em terceiro lugar na disputa presidencial, com cerca de 8% das intenções de votos.
Impugnação
Após as declarações de Moro, o secretário-geral do União Brasil, ACM Neto, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), responderam ao ex-ministro e disseram que vão pedir a desfiliação dele do partido caso não desista de ser candidato a presidente.
“Se ele for se filiar para ser candidato a presidente, vamos pedir a impugnação da filiação dele agora” afirmou Caiado ao jornal O Estado de São Paulo.
Já ACM Neto declarou que apresentaria ainda na sexta-feira o pedido de desfiliação do ex-ministro. “Vamos apresentar, ainda hoje, um requerimento de impugnação da filiação dele. Será assinado pelos oito membros com direito a voto no partido, o que corresponde a 49% do colegiado. A filiação, uma vez impugnada, requer 60% para ter validade”, disse.
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