O mercado de capitais brasileiro registrou em março o maior volume financeiro de 2026 no segmento de petróleo, gás e combustíveis. De acordo com balanço da B3 divulgado nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, as negociações com papéis dessas companhias movimentaram R$ 133,07 bilhões no mês, desempenho que superou confortavelmente os números de janeiro (R$ 68,9 bilhões), fevereiro (R$ 56,7 bilhões) e abril (R$ 98,2 bilhões).
O salto ocorre em um contexto de forte oscilação do preço internacional do barril, que chegou a operar próximo — e em alguns momentos acima — da barreira de US$ 100. Analistas apontam que a escalada foi influenciada pelo acirramento do conflito entre Estados Unidos e Irã, evento que acentuou a percepção de risco sobre a oferta global de energia e levou investidores a reforçar posições em empresas ligadas a commodities.
Maior companhia listada do setor, a Petrobras concentrou boa parte deste fluxo. As ações da estatal passaram de R$ 34,6 bilhões em volume negociado em fevereiro para expressivos R$ 85,1 bilhões em março — um acréscimo de aproximadamente R$ 50 bilhões em apenas 30 dias. Outros nomes também ganharam tração. A Prio viu seu giro financeiro triplicar, saltando de R$ 10,4 bilhões para R$ 30,2 bilhões. Já a Vibra avançou de R$ 5,1 bilhões para R$ 6,4 bilhões no mesmo intervalo.
“O movimento reforça que, em momentos de maior volatilidade externa, investidores tendem a aumentar o giro justamente em setores mais expostos a commodities – seja para aproveitar oportunidades ou ajustar posições”
O recorde contribuiu para que o grupo de petróleo, gás e combustíveis ocupasse o topo do ranking setorial da bolsa no primeiro quadrimestre, à frente de bancos, varejo e tecnologia. Segundo dados compilados pela B3, o volume negociado nessas quatro áreas alcançou R$ 466 bilhões entre janeiro e abril, sendo 44% somente do segmento petrolífero.
Profissionais de mercado explicam que, além da alta do Brent, a proximidade de decisões sobre política de preços e distribuição de dividendos pela Petrobras serviu de gatilho adicional para a busca de liquidez. Ao mesmo tempo, casas de análise vêm revisando projeções de lucro para empresas independentes, sustentadas por contratos de longo prazo de fornecimento e por estratégias de hedge mais agressivas, fatores que ampliaram a participação de investidores estrangeiros.
Para os próximos meses, especialistas avaliam que o giro financeiro pode se manter elevado caso o barril permaneça acima de US$ 90 e a curva de juros local siga em trajetória descendente, condição que reduz o custo de oportunidade de se posicionar em ações. No entanto, alertam que movimentos de aversão global ao risco, como novas sanções internacionais ou surpresas na política monetária de grandes economias, podem desencadear correções de curto prazo.
Com isso, março de 2026 ficará registrado como o período em que o setor de petróleo, gás e combustíveis quebrou seu próprio recorde de movimentação na bolsa brasileira, reforçando a percepção de que os ativos ligados a energia continuam no centro das atenções do investidor em meio a um cenário internacional ainda carregado de incertezas.
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