Um dos maiores refúgios de onças-pintadas no mundo e bastante consumido pelo incêndio que varre o Pantanal, o Parque Estadual Encontro das Águas possui apenas um funcionário e orçamento de R$ 45.120 para o ano, o equivalente a R$ 123,60 por dia. A informação é da Folha de São Paulo.
O orçamento de 2020, por incrível que pareça, ainda é maior que o dos anos anteriores. Em 2018 foram destinados apenas R$ 3.600, e em 2019 foram R$ 9.000. O parque que possui 109 mil hectares tem como pessoal e estrutura um gerente, uma caminhonete, um barco de alumínio, um motor de popa e uma carreta de embarcação.
O local tem bastante força na atividade turística de observação de onças-pintadas. Um estudo trazido pela reportagem mostra que as sete pousadas do entorno do parque, apenas em 2015, tiveram US$ 7 milhões de receita, o equivalente a 487 vezes mais que os orçamentos repassados ao Encontro das Águas nos últimos cinco anos.
Mas para entrar no parque, o turista não precisa pagar ingressos. Ele foi criado em 2004, e o decreto previa até cinco anos para elaboração de um plano de manejo, que venceria em 2009. Até hoje, ele nunca foi feito.
O Encontro das Águas virou um cartão-postal conhecido do Pantanal, tornando-se um importante destino turístico. A observação de onças é considerada uma forma sustentável de turismo, preservando a espécie. Mas agora ela corre riscos com o incêndio que parece incontrolável. Segundo o Instituto Centro de Vida (ICV), 92 mil hectares foram destruídos, o equivalente a 85% do parque.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) de Mato Grosso disse que o parque receberá R$ 1,4 milhão como compensação ambiental, e que o plano de manejo está sendo preparado.
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