Sair cedo, correr riscos, lutar para chegar em casa vivo e encontrar a família é a rotina de muitos pais que atuam na Polícia Militar em Sergipe (PM-SE). Em entrevista ao AjuNews, dois policiais do Batalhão de Radiopatrulha (BPRP) relataram o dia a dia na corporação e comentaram a responsabilidade entre cuidar dos filhos e ser policial militar.
De acordo com o soldado Vagner de Santana, 36 anos, na cabeça de um policial que é pai, e, que está nas ruas em defesa da sociedade, passa um turbilhão de sentimentos.
“Por trás desta farda existe um ser humano com todos os desejos, sentimentos, sonhos, dores. O sentimento que não atinge o nosso psicológico, mas também o dos nossos filhos que já detém a percepção de perda de um ente querido, e o de ter que ir trabalhar e poder não voltar mais vivo para casa”, relata.
Vagner afirma que apesar de sua filha ter apenas 7 anos, a expressão facial e as palavras ditas diariamente pela menina demonstram um pouco do seu carinho e incerteza sobre seu retorno para o lar.
“Percebo não só no semblante da minha filha, mas também nos dizeres dela. ‘Papai, eu te amo muito, o senhor vai voltar mais tarde, num é?’. Digo, ‘sim, filha, papai logo. Logo estará aqui para nos abraçarmos e brincarmos como sempre’. Essa é uma incerteza que permeia, mexe com a cabeça de qualquer pai que sai de casa em defesa da sua família e daqueles que nunca viu ou sequer irá conhecer”, conta.
Para o PM, ser pai e estar na condição de policial não é uma tarefa simples ou normal como em outros empregos, pois não só o policial corre risco de vida, como também todos os membros de sua família, seja no enfrentamento de bandidos e, atualmente, no enfrentamento da covid-19.
“Sendo assim, a sensação de voltar ao teu seio familiar intacto, íntegro e receber aquele abraço e carinho de tua família é um sentimento que não tem preço. Sensação de mais um dever cumprido com excelência e responsabilidade”, afirma o soldado.
Já para o tenente Reinaldo Madeiro Santos, 50 anos, ser policial e pai de três filhos é uma tarefa árdua e ao mesmo tempo gratificante. “Completei 30 anos de efetivo serviço e é uma profissão que amo, gosto de fazer e minha família sempre me apoiou”.
Madeiro relata também que sua filha de 8 anos, a mais nova entre os três filhos, é a que convive diariamente com ele. De acordo com o tenente, ser pai de uma menina foi um presente. “Eu me sinto gratificado, minha filha nasceu, foi meu presente de natal. Nasceu no dia 25 de dezembro e eu me sinto satisfeito”, destaca.
Apesar dos riscos e perigos diários por causa da profissão, o policial afirma que não se deixam abalar e ressalta que a escolha da profissão de um agente da segurança pública foi por amor. “Não me vejo em outra profissão. Não me deixo abalar, mas sempre contando com total apoio e fé em nosso bom Deus e da minha família que sei que sempre estará do meu lado mesmo sabendo dos riscos que corremos”, avalia o soldado.
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