O crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre janeiro e março de 2026, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), animou analistas e reposicionou o país no tabuleiro econômico mundial. De acordo com cálculos da consultoria Austin Ratings, baseados nas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para 45 nações, o Brasil deverá reassumir em 2026 a 10ª colocação entre as maiores economias do planeta, superando o Canadá.
O novo cenário foi consolidado após a série de estimativas divulgada na quarta-feira, 29 de maio. Os números mostram que, ao converter o desempenho do PIB para dólares correntes, o Brasil deve fechar o próximo ano com uma produção total de US$ 2,637 trilhões, ligeiramente abaixo dos US$ 2,655 trilhões previstos para a Rússia, mas já suficiente para voltar ao top 10 global.
Entre as 45 economias avaliadas pela Austin Ratings no primeiro trimestre de 2026, o Brasil obteve o sexto melhor resultado, atrás apenas de Hong Kong, Taiwan, Dinamarca, Coreia do Sul e China. O avanço ficou acima de potências como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Itália.
A tração da economia doméstica nesse início de ano veio, sobretudo, dos serviços — que respondem por mais de 70% do PIB — e da retomada dos investimentos, segundo o IBGE. A combinação de câmbio mais favorável e demanda interna aquecida também ajudou a impulsionar o volume em dólares.
“O levantamento mostra que o Brasil deve ultrapassar o Canadá no ranking global das maiores economias medido em dólares correntes”, destaca a Austin Ratings no estudo.
Os dados do FMI projetam o seguinte ranking econômico para 2026: Estados Unidos (US$ 32,399 tri), China (US$ 20,863 tri), Alemanha (US$ 5,455 tri), Japão (US$ 4,381 tri), Reino Unido (US$ 4,267 tri), Índia (US$ 4,158 tri), França (US$ 3,597 tri), Itália (US$ 2,739 tri), Rússia (US$ 2,655 tri) e Brasil (US$ 2,637 tri).
Como o cálculo considera valores em dólares correntes, a posição brasileira é particularmente sensível à oscilação cambial. Quando o real se valoriza, o tamanho da economia, medido em moeda norte-americana, cresce. Algo semelhante vem ocorrendo com a Rússia, beneficiada nos últimos anos pela valorização do rublo e pelas cotações do petróleo.
Em abril, o FMI ajustou a previsão de expansão do PIB brasileiro em 2026 de 1,6% para 1,9%. Mantido esse ritmo, há expectativa de que o país alcance a nona posição já em 2027, superando a Rússia.
Apesar da volta ao grupo das dez maiores economias, o Brasil ainda apresenta defasagem na renda por habitante. O FMI estima um PIB per capita de US$ 10.685 em 2025, patamar abaixo de várias nações europeias — inclusive algumas com populações menores, como Albânia, cuja renda projetada está em US$ 11.234.
A Austin Ratings observa que a distância em termos de renda individual reforça a importância de reformas estruturais para sustentar crescimentos superiores no médio e longo prazos. Além disso, seguirão no radar a política monetária, o comportamento do câmbio e a competitividade do setor produtivo.
Enquanto isso, o desempenho positivo do primeiro trimestre renova o otimismo de parte do mercado financeiro, que começa a revisar para cima as projeções de crescimento anual — atualmente em torno de 2,2% para 2026 — e a prever, inclusive, um novo ciclo de investimentos em infraestrutura e tecnologia.
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