O Consórcio Habitação Social Recife arrematou, na tarde de terça-feira, 26 de maio de 2026, o leilão que marcou a estreia da modalidade de parceria público-privada (PPP) de locação social no país. Realizado no pregão da B3, no centro de São Paulo, o certame teve lance único e fixou a contraprestação mensal em R$ 2.453.074,24.
Com a vitória, o consórcio passa a responder pela reforma (retrofit), construção, operação, manutenção e gestão de sete conjuntos habitacionais localizados no coração da capital pernambucana. O projeto integra o programa municipal batizado de Morar no Centro e abrange 1.128 unidades. Desse total, 637 serão reservadas à locação social, enquanto as outras 491 ficarão disponíveis para venda ou financiamento a famílias enquadradas nas faixas 2 e 3 do Minha Casa, Minha Vida, com rendimentos entre R$ 3.200 e R$ 9.600.
“A expectativa é elevada pelo impacto e pela inovação; o modelo muda o paradigma da política habitacional”, avaliou José Marcos de Carvalho Araújo, vice-presidente de Governo da Caixa, logo após o leilão.
O Ministério das Cidades classifica a licitação como um divisor de águas, pois combina recursos do Minha Casa, Minha Vida com o mecanismo de locação social, estratégia comum em países europeus, mas inédita em território nacional. Para o poder público, o formato garante moradias bem localizadas, próximas a transporte, serviços e oportunidades de emprego, sem onerar excessivamente o orçamento familiar dos beneficiários.
“Mostramos ao mercado que é possível estruturar um projeto financeiramente sustentável que contemple, ao mesmo tempo, venda e apoio às famílias de menor renda”, destacou o secretário nacional de Habitação, Augusto Rabelo.
O modelo prevê que o aluguel, somado à taxa condominial, comprometa no máximo entre 15% e 25% da renda das famílias que recebem de 1 a 3,5 salários mínimos. Além disso, as unidades serão entregues com itens básicos, como fogão e geladeira, reforçando o caráter social da iniciativa.
Ao apontar para o futuro, Manoel Renato Machado Filho, secretário-adjunto de Infraestrutura Social e Urbana da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil, revelou que a mesma estrutura de PPP deverá ser replicada em Campo Grande (MS) e Maceió (AL). O edital sul-matogrossense é o mais adiantado e o leilão está previsto ainda para 2026.
“Precisamos diversificar ferramentas de política pública para reduzir o déficit habitacional, hoje estimado em 5,8 milhões de unidades”, lembrou o gestor.
Lançada em 2025 pela Prefeitura do Recife em conjunto com o governo federal, a PPP foi estruturada pelo Ministério das Cidades em parceria com o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), a Secretaria de Patrimônio da União, a Caixa e o Fundo de Apoio à Estruturação de Projetos de Concessão (FEP). O contrato terá vigência de 25 anos, prazo no qual o consórcio receberá a contraprestação mensal pactuada e garantirá a manutenção dos imóveis.
Com a assinatura do acordo, a capital pernambucana assume a dianteira de uma política que promete se espalhar pelo país, oferecendo moradia digna em áreas centrais e estimulando a requalificação urbana sem deslocar a população de baixa renda para regiões periféricas.
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