O total de empresas em recuperação judicial no Brasil encerrou 2025 no patamar mais alto já registrado. De acordo com o Monitor de Recuperação Judicial da consultoria RGF, 5.680 companhias estavam sob proteção judicial até 31 de dezembro, número que supera em 24,3% o contingente verificado um ano antes, quando 4.568 organizações se encontravam na mesma situação.
O indicador da RGF acompanha, mês a mês, os pedidos protocolados em todo o território nacional e consolida a quantidade de processos que permanecem ativos. O salto anual colocou 2025 como o período de maior pressão sobre o Judiciário desde a criação da série, evidenciando o impacto financeiro sentido pelo setor empresarial.
Entre os segmentos analisados, o ramo de serviços concentrou a maior fatia de companhias em recuperação judicial. Segundo o levantamento, atividades que vão de transporte a tecnologia reuniram o volume mais expressivo de devedores, reafirmando a sensibilidade desse mercado às flutuações de demanda e de custos operacionais. A consultoria não detalhou, na prévia divulgada, a participação exata dos demais setores, mas indicou que comércio e indústria vieram na sequência.
O acréscimo de 1.112 empresas na comparação entre 2024 e 2025 representa um avanço consistente na curva de pedidos, pois interrompeu qualquer expectativa de estabilização observada nos anos anteriores. Em nota, a RGF destacou que o patamar atual reflete a “persistência de desafios macroeconômicos, a elevação dos custos de crédito e a menor margem de manobra das empresas para renegociar dívidas de curto prazo”.
A consultoria lembra que a recuperação judicial funciona como instrumento para preservar a atividade empresarial enquanto se reorganizam passivos. Porém, o volume recorde sugere pressões adicionais sobre credores, trabalhadores e cadeias de fornecimento, já que o processo costuma se estender por anos até a homologação de um plano de pagamento.
A base territorial do Monitor abrange varas especializadas e câmaras empresariais de todos os estados, o que permite traçar um retrato abrangente do cenário. Ainda assim, a RGF ressalta que o quadro pode se alterar à medida que decisões judiciais homologam recuperações ou transformam processos em falências.
Com 5.680 empresas sob proteção judicial, 2025 encerra-se, portanto, como o ano mais crítico para companhias que dependem do instituto da recuperação para ganhar fôlego e tentar preservar empregos, contratos e operações.
Com informações de Claudiodantas
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