Sorriso, no norte de Mato Grosso, deixou de ostentar o primeiro lugar no ranking nacional de valor da produção agrícola. O revezamento, apontado pela pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que Sapezal (MT) e São Desidério (BA) ultrapassaram o município que há anos era conhecido como “capital do agronegócio”.
O resultado não se explica apenas por variações de safra ou de preços. A principal causa foi a mudança no mapa mato-grossense: a criação do município de Boa Esperança do Norte, oficialmente instalado em 1º de janeiro de 2025. Parte das terras agrícolas que antes pertenciam a Sorriso — incluindo áreas expressivas de soja, milho, algodão e feijão — passou a compor o novo ente federativo. Segundo o IBGE, essa reorganização territorial reduziu em 9,3% a área plantada originalmente contabilizada em Sorriso, afetando diretamente o cálculo do valor de produção.
Mesmo com a perda de território, Sorriso registrou alta nominal no faturamento agrícola: passou de R$ 7,2 bilhões, em 2024, para R$ 8,16 bilhões, em 2025. Ainda assim, o montante ficou atrás dos R$ 8,59 bilhões de Sapezal e dos R$ 8,22 bilhões de São Desidério. O IBGE ressalta que os valores refletem preços correntes de cada ano, sem correção pela inflação.
Sapezal, novo número um do país, viu sua receita agrícola avançar 46,6%, impulsionada sobretudo pelo algodão herbáceo, que respondeu por 60% do total (R$ 5,13 bilhões) e atingiu 1,2 milhão de toneladas em 2025. Também houve salto no valor obtido com soja (51,4%) e milho (58,1%).
O levantamento divulgado nesta quinta-feira (17) mostra ainda que, em 2025, o agronegócio brasileiro movimentou R$ 927,2 bilhões, aumento de 18,4% em comparação a 2024. Mato Grosso manteve a condição de principal estado em valor de produção (R$ 165,6 bilhões) e emplacou cinco dos dez municípios mais bem colocados no ranking nacional.
Top 10 – Valor da produção agrícola (2025)
- Sapezal (MT): R$ 8,59 bilhões – algodão
- São Desidério (BA): R$ 8,22 bilhões – soja
- Sorriso (MT): R$ 8,16 bilhões – soja
- Campo Novo do Parecis (MT): R$ 7,87 bilhões – soja
- Formosa do Rio Preto (BA): R$ 5,89 bilhões – soja
- Diamantino (MT): R$ 5,82 bilhões – soja
- Rio Verde (GO): R$ 5,69 bilhões – soja
- Cristalina (GO): R$ 5,45 bilhões – soja
- Nova Mutum (MT): R$ 5,39 bilhões – soja
- Jataí (GO): R$ 4,84 bilhões – soja
A mudança no pódio não alterou a hegemonia mato-grossense: o estado continua sediando a cidade líder em valor de produção agrícola nacional e responde por metade das posições do top 10. Boa Esperança do Norte, recém-criada e com população estimada em 5,9 mil habitantes, ainda não aparece entre os maiores, mas já impacta o desempenho dos vizinhos ao absorver áreas produtivas consideráveis.
Para os produtores de Sorriso, a reorganização territorial impôs desafios de ajuste estatístico, mas não comprometeu o dinamismo local. A expectativa é que investimentos em tecnologia e expansão de fronteiras agrícolas mantenham o município entre os principais geradores de riqueza do campo, mesmo sem o título de campeão nacional.
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