SERGIPE — A Secretaria de Estado da Saúde (SES) realizou, nesta terça-feira, 19, o seminário ‘Faça Bonito’ para reforçar ações de prevenção, acolhimento e atendimento especializado a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
- Evento marcou a mobilização nacional em torno do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (18 de maio).
- Reunião contou com profissionais da saúde, assistência social, educação, segurança pública e do sistema de justiça.
- Em Sergipe, o atendimento especializado é feito pelo Centro de Referência no Atendimento Infantojuvenil (Crai), com mais de 17.500 atendimentos em três anos.
- O Crai funciona de segunda a sexta, das 7h às 19h; urgências à noite, fins de semana e feriados são atendidas pelo Hospital da Criança.
Objetivo do seminário
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), o seminário teve como foco fortalecer a prevenção, o acolhimento e o atendimento especializado a vítimas infantojuvenis e promover articulação entre municípios e diferentes setores envolvidos na proteção.
O evento reuniu profissionais da saúde, assistência social, educação, segurança pública e do sistema de justiça, apontou a SES.
Veja informações da SES sobre ações de saúde em Sergipe: https://www.saude.se.gov.br
“É fundamental que esse tema seja discutido continuamente, e não apenas no 18 de maio, data nacional de combate ao abuso e à exploração sexual. Precisamos fortalecer as ações de prevenção, ampliar a capacidade de identificação dos casos e garantir que os profissionais saibam como agir, para onde encaminhar e quais órgãos de proteção devem ser acionados sempre que houver suspeita ou confirmação de violência.” — Ingrid Lima da Silva, referência técnica do Núcleo Vigilância de Violências e Acidentes da SES
Memória e legislação
O 18 de maio foi instituído após a lei federal nº 9.970/2000, em memória de uma menina de 8 anos, sequestrada, violentada e assassinada em Vitória (ES) em 1973, cuja morte motivou ampla mobilização contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Novas formas de violência
Representantes do Ministério Público e outros órgãos destacaram a necessidade de atualização das estratégias diante de crimes que surgem com as transformações tecnológicas e sociais.
“Vivemos, hoje, uma realidade marcada por profundas transformações tecnológicas e sociais. Novas formas de violência têm surgido, como o compartilhamento não autorizado de imagens íntimas, o aliciamento online e outras práticas que colocam crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Por isso, é fundamental compreender essa nova dinâmica e construir estratégias de enfrentamento cada vez mais eficazes.” — Talita Cunegundes, diretora do Centro de Apoio Operacional da Infância e Adolescência do Ministério Público de Sergipe (Ceop)
Atendimento especializado em Sergipe
O Centro de Referência no Atendimento Infantojuvenil (Crai) é o serviço estadual referência para vítimas de violência sexual. O centro oferece acolhimento e acompanhamento multiprofissional por, no mínimo, seis meses.
Nos períodos noturnos, fins de semana e feriados, as urgências e emergências são recebidas no Hospital da Criança, que realiza o primeiro acolhimento e encaminha para continuidade do tratamento no ambulatório especializado.
Em três anos de funcionamento, o Crai contabilizou mais de 17.500 atendimentos.
“O Crai atua em uma etapa essencial do processo, oferecendo assistência integral às vítimas e contribuindo para minimizar os impactos emocionais e psicológicos decorrentes do abuso. É importante destacar que, mesmo quando não há sinais de violência física, cerca de 96% das crianças e adolescentes atendidos apresentam algum tipo de sofrimento emocional ou psíquico.” — Ana Salmeron, psiquiatra do Centro
Acompanhe mais sobre combate ao abuso e à exploração sexual na editoria de Saúde.
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