O Atlas da Violência de 2020, que traz números sobre a violência no Brasil em 2018, mostra números preocupantes sobre a violência contra pessoas negras em Sergipe. De acordo com o documento, Sergipe tem a quarta maior taxa de homicídios para cada 100 mil pessoas no país. São 59,4 mortes para cada 100 mil pessoas de cor no estado.
Apenas Roraima (com 87,5), Rio Grande do Norte (71,6) e Ceará (69,5) apresentam mais mortes de pessoas negras a cada 100 mil habitantes em todo o país. No geral, o Brasil apresenta 37,8 mortes de pessoas negras a cada 100 mil habitantes, contra 13,9 de não negras.
Além disso, em quase todos os estados brasileiros, um negro tem mais chances de ser morto do que um não negro, com a exceção do Paraná. Sergipe apresenta a terceira maior discrepância do Brasil: no estado, uma pessoa negra tem 5,1 vezes mais chances de ser morta do que uma não negra. Apenas Alagoas (17,2) e Paraíba (8,8) apresentam índices superiores.
Em Sergipe, no ano de 2018, foram 1.079 pessoas negras mortas. Em comparação a 2017, houve até uma queda de 12,4%. Mas se compararmos em um espaço de dez anos, entre 2008 e 2018, o número saltou de 404 para 1.079, com uma taxa de 167,1% a mais. Para se ter uma ideia, nestes mesmos dez anos no Brasil, o aumento foi de 34,2%.
Já na taxa de mortes para cada 100 mil negros, entre 2008 e 2018, Sergipe teve um aumento de 100,9%, passando de 29,6 para 59,4. A discrepância entre o Brasil, neste caso, é ainda maior. No decênio em questão, a taxa aumentou em 11,5% na média nacional.
A título de comparação, entre pessoas não negras, o número de homicídios entre 2008 e 2018 em Sergipe caiu 26%. Já a taxa de mortes de pessoas não negras para cada 100 mil pessoas no estado subiu 16%, contra os 100,9% já citados de pessoas negras.
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