A sessão do STF foi interrompida às 13h e seguirá ainda hoje, informou Fachin. Ministros analisam pedido de adiamento, unificação dos casos do Banco Master e possível inquérito contra Moraes ligado a Vorcaro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) interrompeu às 13h desta terça-feira a sessão que avalia se o ministro Alexandre de Moraes pode se tornar alvo de inquérito por suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A presidência do tribunal, exercida pelo ministro Edson Fachin, informou que os trabalhos serão reiniciados às 14h para análise de questões levantadas durante a manhã, entre elas o pedido de adiamento e a proposta de reunir todos os processos ligados ao Banco Master em um único julgamento, marcado para 23 de setembro.
Nas primeiras horas do plenário, os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino contestaram atos atribuídos a Fachin ao assumir relatorias de processos que envolvem denúncias contra Moraes e também contra o ministro André Mendonça. O presidente da Corte rebateu a crítica e explicou que apenas recebeu os autos encaminhados pelo relator original.
“Os autos foram encaminhados pelo ministro relator à presidência, porque o juiz natural para julgar essa matéria é o plenário”, afirmou Fachin, ressaltando que não retirou a relatoria de ninguém.
O clima ganhou nova tensão quando Kássio Nunes Marques declarou-se impedido e Dias Toffoli afirmou-se suspeito para participar do julgamento, fato que reduz o número de magistrados aptos a votar sobre a abertura de investigação contra um integrante do próprio tribunal.
A controvérsia ganhou destaque em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de relatório policial que cita 52 mensagens atribuídas a Vorcaro e a Moraes. O conteúdo sugere proximidade entre os dois, incluindo referência a um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Há também menção a consulta sobre possível operação policial para prender o ex-banqueiro, que de fato foi detido preventivamente em 17 de novembro de 2025.
Depois da divulgação, Moraes classificou o relatório como inconstitucional e ilegal. Em resposta, publicou documento de “inteligência” atribuído à Polícia Federal que questiona se Mendonça teria direcionado a Operação Compliance Zero contra adversários internos. O papel, no entanto, não traz assinatura, timbre oficial nem valor probatório.
A Procuradoria-Geral da República pediu a anulação do relatório parcial apresentado por Mendonça, alegando que investigações sobre ministro do STF deveriam ter sido submetidas inicialmente ao presidente da Corte ou ao plenário. O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece nas mensagens examinadas pela PF, o que adiciona mais um ponto sensível ao caso.
No auge da troca de acusações, Moraes solicitou a Fachin que abra investigação contra Mendonça pelos crimes de abuso de autoridade, improbidade administrativa e responsabilidade. Esse pedido também foi pautado para 23 de setembro, na mesma data sugerida para possível julgamento conjunto dos processos relacionados ao Banco Master.
Com a sessão suspensa até as 14h, o plenário deverá decidir se mantém os debates nesta tarde ou se adia todas as discussões para a data unificada. Até lá, permanece a expectativa sobre como o Supremo tratará uma investigação sem precedentes envolvendo um de seus próprios membros.
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