Um estudo da Transparência Internacional mostrou que o Brasil está “estagnado” na luta contra a corrupção, sendo o 94º entre 180 países no quesito. A nota do país em 2020, de 0 a 100, oscilou para 38, superando levemente os 35 de 2019. Desde 1995, o órgão utiliza os índices para calcular a luta contra a corrupção em cada país.
Com os 38 em 2020, o Brasil ficou abaixo da média mundial de 43, e da média da América Latina de 41. Mesmo subindo na margem de erro, o país ainda é considerado “estagnado” pela Transparência Internacional, e indica graves níveis de corrupção.
Segundo o órgão, o Brasil vive desde 2019 um retrocesso no combate à corrupção, com questões que envolvem o favorecimento a determinados políticos e o aumento da interferência política por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em órgãos de controle.
Alguns dos retrocessos foram citados pela Transparência Internacional. São os casos da “renúncia do ministro da Justiça Sérgio Moro com acusações graves contra o presidente Jair Bolsonaro”, e da “pressão política e institucional que levou ao desmantelamento das forças-tarefa Lava Jato e Greenfield”.
Outros destaques vão para as investigações das “rachadinhas” sobre o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente; e para o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), encontrado em buscas da Polícia Federal com dinheiro na cueca.
Porém, o relatório da Transparência Internacional lembra como ponto positivo no Brasil que “2020 assistiu a uma forte e corajosa mobilização da sociedade civil denunciando e impedindo retrocessos ainda mais graves, em meio à onda autoritária de ataques às ONGs e à imprensa – potencializada pelo discurso de ódio do próprio presidente da República”.
“Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a corrupção era um problema do passado. Ele estava errado. A corrupção continua a ser um problema sistêmico no Brasil, que contamina a democracia e impede o desenvolvimento sustentável e socialmente justo do país. Não é através de soluções populistas e autoritárias que se constrói um país íntegro. É através de leis, instituições e, principalmente, uma cidadania livre, consciente e ativa na luta por seus direitos”, conclui o órgão.
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