Em Aracaju, há cerca de 200 terreiros de religiões de matriz africana, espaços vistos como como ponto de refúgio e apoio para a comunidade, assim como em templos e igrejas de outras religiões. No entanto, de acordo com a gerente da Igualdade Racial da Diretoria dos Diretos Humanos (DDH), Laila Oliveira, existe “uma negação dessa origem”.
“Nossa população ainda vive na negação de que isso faz parte da nossa formação cultural, da nossa formação social, muito para além da polarização das religiões. Tudo aquilo que vem da África é malquisto, visto como uma coisa ruim, até amaldiçoada. Isso foi construído no período escravocrata e se perpetuou, segue ainda nos dias de hoje”, disse a gerente, nesta quinta-feira (21), Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Para Laila, ao compreender que a intolerância religiosa está ligada a questões raciais, já se fala em racismo religioso. Ela explica que não se trata apenas de uma questão de não tolerar o diferente, mas também de negar a origem das religiões de matriz africana.
De acordo com a gerente, o racismo religioso também dificulta a vida, principalmente a partir do momento em que se utilizam disso para impedir que as pessoas tenham acesso a direitos. Como por exemplo, de fazer uma foto para o registro geral com o uso de turbantes.
“É uma violência física para além da simbólica porque está tirando a proteção, a extensão daquele indivíduo. Quando a gente se volta para a orientação, para o combate, para o racismo institucional, é uma forma de contribuir para por fim ao preconceito e, assim, alimenta a educação para a diversidade. As pessoas não querem mais ser toleradas, elas querem ser respeitadas, existe uma diferença nisso”, destacou Laila.
A liberdade religiosa é um princípio assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, e pela Lei nº 11.635, instituída em 27 de dezembro, de 2007, em homenagem à Yalorixá Gildária dos Santos, a Mãe Gilda, do Axé Abassá de Ogum, que foi vítima de diversas agressões, verbais e físicas, por causa do preconceito à sua religião.
Em casos de intolerância religiosa as vítimas podem denunciar por meio do Disque 100. O serviço funciona 24h por dia, todos os dias da semana. Os casos também podem ser denunciados para o Ministério Público de Sergipe (MP-SE), através do número, (79) 3209-2400.
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