Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) identificaram que o óleo encontrado em praias dos dois estados está relacionado ao derramamento de material de depósitos de parafina de tanques de armazenamento de óleo bruto. Os resultados preliminares da análise foram divulgados, nesta segunda-feira (19). Em Sergipe, mais de uma tonelada de resíduos já foram recolhidos na costa do estado, segundo a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema). Em menos de um mês, o material já foi localizado em oito praias de seis cidades sergipanas.
Um dos líderes da pesquisa, o professor do Departamento de Química da UFS, Alberto Wisniewski Júnior, afirmou que, diante das circunstâncias de acidentes ou desastres com petróleo e derivados, o primeiro passo foi avaliar os aspectos geoquímicos orgânicos do óleo. “Estudar esses parâmetros geoquímicos a partir da avaliação de moléculas permite identificar o tipo de matéria orgânica que deu origem ao material e quanto tempo ele levou para ser produzido geologicamente ao longo do tempo,” ressalta o pesquisador.
Wisniewski chamou a atenção para as diferenças no aspecto físico entre as manchas de 2019 e de 2022. Enquanto o material encontrado há três anos aparentava ser processado, os novos resíduos têm características de óleo cru, sendo um derivado do petróleo conhecido como tar balls, por apresentar um formato de “pequenas bolotas”. “Em geral, já sabemos que o novo material é originado de um derrame de óleo que já tenha uma propriedade específica que passa muito tempo no ambiente sofrendo alterações pelas intempéries, levando a formação deste produto,” acrescenta o professor.
Apesar das diferenças físicas, o foco dos pesquisadores é descobrir se há semelhanças na composição química dos dois materiais para ajudar a descobrir a origem do novo derramamento. Por enquanto, Wisniewski afirmou não descartar nenhuma hipótese de relação química entre os óleos.
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