As quatro vereadoras da Câmara Municipal de Aracaju (CMA) destacaram ao AjuNews, nesta segunda-feira (8), Dia Internacional da Mulher, a luta pela defesa dos direitos das mulheres e o crescimento da bancada feminina na Casa Parlamentar. Em Aracaju, esta é a primeira vez que quatro mulheres são eleitas vereadoras numa mesma legislatura.
A vereadora reeleita Emília Corrêa (Patriota), que finalizou seu mandato anterior como única parlamentar mulher, afirmou a importância de maior representatividade feminina. “O crescimento da bancada feminina na Câmara de Aracaju foi bastante positivo. Essa ampliação certamente vai aumentar mais ainda as discussões que interessam não só no combate à violência, que já é muito grave, mas acima de tudo a defesa pelos direitos das mulheres, na questão do trabalho, da saúde, do direito de ir e vir. Tive a experiência no mandato passado de ficar pelo menos metade do mandato como a única representante das mulheres na Câmara, como mulher parlamentar, e sabemos que não é fácil, num ambiente majoritariamente masculino, sem a sensibilidade da vivência, que certamente faz uma diferença”, afirmou.
Emília citou ainda a criação da Procuradoria da Mulher da Câmara. “Estou muito feliz e esperançosa da Procuradoria da Mulher ser instalada na Câmara quem sabe essa semana. Foi uma iniciativa minha na legislatura passada e agora com a chegada de mais mulheres na Câmara acredito que essa procuradoria será porta aberta para a defesa e combate à violência contra as mulheres”, acrescentou.
Para a vereadora Sheyla Galba (Cidadania), que está em seu primeiro mandato, o aumento de mulheres na política serve de motivação para outras mulheres. “Fiquei muito feliz da bancada feminina na Câmara de Vereadores ter aumentado de uma legislatura para outra. Acredito que podemos crescer ainda mais, espero que a representatividade que temos hoje com Emília Correia, Linda Brasil, professora Ângela Melo e eu sirva de motivação e inspiração para que mais mulheres entrem na política. Estamos trabalhando, lutando e fazendo com que as mulheres se sintam sempre representadas. Quero que isso as motive. A sensibilidade, o trabalho e a dedicação das mulheres devem povoar cada vez mais os espaços públicos de poder”, ressaltou Sheyla.
Para a parlamentar Linda Brasil (Psol), primeira mulher trans eleita vereadora em Aracaju, é preciso avançar ainda mais esse quantitativo feminino. “É importante respeitar as mulheres em sua diversidade. Eu sou uma mulher trans, branca, que carrega uma representatividade forte de luta pelo respeito às identidades, de luta antissistêmica em defesa das maiorias sociais, em defesa dos direitos humanos. A diversidade amplia a democracia. Hoje, na Câmara, somos quatro mulheres entre os 24 vereadores e vereadoras, nenhuma de nós é negra. É muito pouco, mas estamos avançando. Precisamos avançar mais”, explicou a vereadora mais votada nesta legislatura, acrescentando que juntas, podem combater o machismo e o sexismo, inclusive na Câmara.
Segundo Ângela Melo (PT), é preciso cada vez mais mulheres, negras, trans, das periferias, trabalhadoras, nesses espaços. “É no Legislativo e nos demais ambientes de poder que as políticas públicas que impactam diretamente em nossas vidas são decididas. Além de estarmos ainda subrepresentadas, somos vítimas constantes da violência política de gênero, que é a violência baseada no ódio contra a nossa atuação política. Por isso, temos um triplo desafio: aumentar a presença feminina, avançar nas pautas que garantem direitos às mulheres e enfrentar a violência de gênero”, finalizou a parlamentar.
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