O porta-voz da Presidência da Argentina, Javier Lanari, afirmou que o país está preparado para deslocar militares ao Oriente Médio caso receba um pedido formal dos Estados Unidos. A declaração foi dada em entrevista ao jornal espanhol El Mundo nesta quarta-feira (18).
“Se os Estados Unidos solicitarem, sim. Qualquer assistência que eles considerem necessária será fornecida”, disse Lanari, acrescentando que ainda não sabe se Washington já fez alguma solicitação.
Apoio irrestrito a Washington e Tel Aviv
Desde que assumiu a Presidência, Javier Milei tem reiterado alinhamento automático aos EUA e a Israel. Entre as medidas anunciadas estão a saída da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a intenção de transferir a embaixada argentina de Tel Aviv para Jerusalém, cidade cujo status é reivindicado também pelos palestinos.
Milei chegou a classificar o Irã como “inimigo” e voltou a acusar Teerã de participação no atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA) em 1994, fato sempre negado pelo governo iraniano. As posições do presidente motivaram editorial do Tehran Times, que cobrou reação de Teerã.
“Parece que Milei, com essa postura e ao cruzar a linha vermelha da segurança nacional iraniana, busca sacrificar os interesses e a conveniência nacionais no altar dos EUA e do regime de apartheid israelense”, escreveu Saleh Abidi Maleki no jornal iraniano.
Denúncias no caso da criptomoeda Libra
A sinalização de envio de tropas ocorre em meio a novas suspeitas de corrupção envolvendo Milei. O jornal argentino El Destape publicou, no sábado (14), que perícia judicial no celular do empresário Mauricio Novelli apontaria um suposto acordo de US$ 5 milhões entre o presidente e sua irmã, Karina, dias antes de Milei promover a criptomoeda Libra nas redes sociais, em fevereiro de 2025.
Até o momento, o chefe do Executivo não se pronunciou sobre as revelações. O ministro da Justiça, Juan Bautista Mahiques, declarou ser “imprudente” atribuir responsabilidade a Milei, enquanto parlamentares da oposição articulam a abertura de investigação no Congresso.
Participação anterior em conflitos
Esta não seria a primeira vez que a Argentina integraria operações lideradas pelos Estados Unidos no Oriente Médio. Em 1991, o então presidente Carlos Menem enviou navios de guerra para o bloqueio naval durante a Guerra do Golfo, após a invasão do Kuwait pelo Iraque.
Antes disso, em 1982, o país se envolveu na Guerra das Malvinas, quando a junta militar argentina tentou tomar o arquipélago controlado pelo Reino Unido. Na ocasião, Washington apoiou Londres; o conflito resultou na morte de 649 argentinos e 255 britânicos.
Fonte: Agência Brasil
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