O Irã anunciou nesta terça-feira (7) que bombardeou o complexo petroquímico de Jubail, no leste da Arábia Saudita, em resposta aos ataques israelenses realizados contra instalações semelhantes em território iraniano. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou que a operação foi “bem-sucedida” e que não manterá mais qualquer restrição na escolha de novos alvos, elevando o risco de agravamento da crise global de energia.
Escale de ataques
A retaliação veio após Israel ter atingido, ontem e hoje, o complexo petroquímico de Shiraz, conhecido pela produção de fertilizantes. Tel-Aviv justificou a ação alegando que a unidade fabricava ácido nítrico para explosivos. Além disso, Israel informou que pretende bombardear linhas férreas no Irã.
Outro alvo dos ataques conjuntos de Israel e Estados Unidos foi uma planta petroquímica na província iraniana de Bushehr. A Companhia Nacional de Petroquímica (NPC) do Irã ainda avalia os danos.
Fontes anônimas do Exército dos EUA disseram às agências Reuters e Axios que forças americanas também atacaram a ilha iraniana de Khang, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo e gás do país persa. Teerã não confirmou essas informações.
Pressão de Washington
Em meio à escalada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou o ultimato ao Irã. “Toda uma civilização vai morrer essa noite”, declarou, classificando como “provável crime de guerra” a ofensiva que pretende realizar contra “um país de 90 milhões de pessoas”.
Ameaça iraniana
“Os parceiros regionais dos EUA também devem saber que, até hoje, por uma questão de boa vizinhança, exercemos imensa contenção e mantivemos considerações na seleção de alvos para retaliação, mas, a partir de agora, todas essas considerações foram eliminadas”, afirmou a IRGC em comunicado.
O órgão militar acrescentou que pretende “privar” Estados Unidos e aliados do petróleo e gás da região caso os ataques continuem.
Alvos na Arábia Saudita e nos Emirados
Além de Jubail, a Guarda Revolucionária disse ter atingido o complexo petroquímico de Ju’aymah, onde atuaria a empresa norte-americana Chevron Phillips. Segundo o Irã, instalações sauditas contam com participação de Sadara, ExxonMobil e Dow Chemical. Riad ainda não se manifestou sobre a extensão dos danos.
O Irã informou, ainda, ter bombardeado um navio porta-contêineres de Israel que tentava atracar no porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos.
“A destruição deste navio serve como um alerta severo para qualquer embarcação que tente cooperar com o regime sionista [Israel] e os Estados Unidos de qualquer forma”, destacou a nota da IRGC.
Os episódios de hoje integram a 99ª onda de ataques registrada desde o início da ofensiva contra Teerã, em 28 de fevereiro.
Vítimas no Irã
De acordo com a Agência de Direitos Humanos do Irã (HRANA), ao menos 109 pessoas morreram no país nas 24 horas encerradas na segunda-feira (6). No período, foram contabilizados 573 ataques em 20 províncias. Desde 28 de fevereiro, o total de civis mortos chega a 1,6 mil — entre eles, 248 crianças —, além de 1,2 mil militares iranianos. Outros 711 óbitos ainda não tiveram o status (civil ou militar) identificado.
Fonte: Agência Brasil
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