China e Rússia exerceram poder de veto e impediram, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a aprovação de projeto de resolução que condenava o bloqueio do Estreito de Ormuz realizado pelo Irã. A proposta havia sido apresentada pelo Bahrein em nome dos países do Golfo Pérsico.
O texto criticava apenas as ações iranianas, sem mencionar ataques de Estados Unidos e Israel, e defendia a soberania dos Estados do Golfo, omitindo referências à integridade territorial do Irã.
Onze países votaram a favor da resolução: Bahrein, Estados Unidos, Reino Unido, França, Dinamarca, Grécia, Panamá, Libéria, Letônia e Congo. Colômbia e Paquistão se abstiveram.
Argumento do Bahrein
Representando Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia, o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, afirmou que o Irã não tem direito de fechar a rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás mundial.
“A não adoção desta resolução envia um sinal errado ao mundo, aos povos do mundo — um sinal de que as ameaças às vias navegáveis internacionais podem passar sem qualquer ação decisiva da comunidade internacional”, declarou.
Posição do Irã
O embaixador iraniano, Amir Saeid Iravani, classificou a iniciativa como uma tentativa de “punir a vítima”. Segundo ele, Washington e Tel-Aviv devem assumir a responsabilidade pelos ataques que motivaram o bloqueio, assegurando que embarcações consideradas não hostis poderão atravessar o estreito.
Veto russo
Para o embaixador da Rússia, Vassily Nebenzia, a proposta tinha abordagem “errônea e perigosa” por apresentar o Irã como único foco de tensão. Ele lembrou que interpretações amplas de resoluções anteriores, como a 1973 sobre a Líbia, tiveram consequências graves.
“Nosso projeto será conciso, equitativo e equilibrado”, adiantou, ao anunciar que Rússia e China apresentarão alternativa em breve.
Ponto de vista chinês
O embaixador Fu Cong afirmou que o texto não tratava das “causas profundas” do conflito. Ele pediu cautela ao Conselho antes de votar sem que as preocupações de todos os membros sejam consideradas.
“Esta guerra nunca deveria ter acontecido”, disse, responsabilizando EUA e Israel e pedindo que ambos cessem as “ações militares ilegais”.
Reação dos Estados Unidos
O representante norte-americano, Michael Waltz, definiu o Estreito de Ormuz como vital demais para ser “instrumentalizado por qualquer Estado” e acusou China e Rússia de apoiar um regime que tenta intimidar os países do Golfo.
Após ataques dos EUA e de Israel ao Irã, Teerã passou a atingir bases americanas e instalações energéticas na região, justificando que esses territórios cedem espaço para agressões contra solo iraniano.
Fonte: Agência Brasil
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