A Polícia Federal (PF) localizou mensagens com conteúdo violento e uma foto de maços de dinheiro no celular do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), preso na quarta fase da Operação Unha e Carne, que investiga supostas fraudes em contratos da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro.
Os diálogos foram obtidos por meio de interceptações autorizadas judicialmente e constam na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a deflagração da operação. As conversas apontam para trocas entre o deputado e outros investigados ligados ao suposto esquema de desvios.
Em mensagens de 2021, quando Rangel atuava como vereador, ele teria sugerido a Fábio Pourbaix Azevedo, apontado como braço direito do parlamentar, tomar atitude contra um homem identificado apenas como Felipe, que o criticou em rede social. Conforme trecho da decisão, Thiago Rangel teria dito que “vai dar jeito nele”, pediu que Fábio descobrisse o endereço de Felipe e afirmou que “depois de 12 tiros no portão o recado está dado”.
Outra troca gravada em 2022 também contém teor de ameaça. No diálogo, os investigadores registraram mensagens atribuídas a Fábio e a Thiago que sugerem a preparação de um ataque contra pessoa não identificada. Em uma das falas transcritas, Fábio teria escrito: “Vai se enforcar sozinho! Ta chegando a hora dele! Temos que ter sabedoria”. Em resposta, Rangel teria escrito: “Bati palma para ele aqui, botei a mãozinha batendo palma, para o filho da p* estressar logo”.
Foto de dinheiro
Além das mensagens, a PF encontrou no aparelho do deputado uma imagem com cédulas em espécie. Segundo a investigação, a foto foi enviada por Luis Fernando Passos ao deputado informando que um contrato havia sido assinado. A polícia registra que, no dia 20 de setembro de 2024, às 14h51min06s, Luis Fernando enviou a imagem seguida da mensagem: “Guardado”.
Posicionamento da defesa
Em nota à imprensa, a defesa de Thiago Rangel afirmou que o parlamentar nega a prática de atos ilícitos e que prestará os esclarecimentos necessários no curso da investigação. Os advogados acrescentaram: “A defesa ressalta que qualquer conclusão antecipada é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentaram a medida”.
As informações constam nos autos da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal, com desdobramentos judiciais autorizados pelo STF. Fonte: Agência Brasil.
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