BRASIL — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma proposta alternativa aos projetos que tratam do fim da escala 6×1: flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para permitir pagamento por hora, com o empregado definindo seu período de trabalho.
- Flávio discutiu a sugestão com a bancada do PL em reunião em Brasília.
- A proposta prevê manutenção de direitos como 13º, FGTS e férias, proporcionais às horas.
- O governo federal encaminhou ao Congresso projeto que limita jornada a 40 horas semanais, com apoio sindical e resistência patronal.
- Dados do IBGE citados na reportagem mostram diferenças na divisão do trabalho doméstico entre gêneros.
Como funcionaria a alternativa
Segundo o senador, a mudança na CLT permitiria que contratos fossem remunerados por hora e que trabalhadores escolhessem quanto desejam atuar. Flávio disse ainda que a medida preservaria direitos trabalhistas, pagos proporcionalmente às horas registradas.
“Foi passada para nossa bancada essa sugestão, essa alternativa, que seria o trabalho remunerado pelas horas de trabalho, com a garantia de todos os direitos trabalhistas, como décimo terceiro, Fundo de Garantia [do Tempo de Serviço – FGTS], férias. Obviamente, proporcionais às horas de trabalho.” — Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência da República
Posicionamento e críticas
O senador afirmou que a proposta do governo federal pelo fim da escala 6×1 é inoportuna e motivada por interesses eleitorais, e que, na sua visão, pode aumentar desemprego e custo de vida.
“Tenta vender para a população uma solução fácil que não vai resolver [os problemas de produtividade, empregabilidade e de qualidade de vida]. Vai gerar desemprego em massa, aumento do custo de vida e prejudicar mais os trabalhadores do que ajudar.” — Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência da República
“Se quiserem, vão trabalhar mais. E,se não puderem trabalhar tanto, se precisarem de mais flexibilidade, isso também estará atendido por esta legislação.” — Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência da República
“Vinte e três por cento delas não conseguem, não podem trabalhar por causa desta jornada endurecida, por não terem onde deixar seus filhos. Com esta mudança legislativa, a mulher que tem filhos vai poder trabalhar, por exemplo, quatro horas; deixar seu filho com alguém e voltar para casa para ficar com o filho. Portanto, vai ter oportunidade de trabalho” — Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência da República
Projeto do governo e dados sobre jornada
Em abril, o governo federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei em regime de urgência para extinguir a escala 6×1, reduzindo o limite da jornada de 44 para 40 horas semanais e garantindo dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A proposta tem apoio de entidades sindicais e resistência de setores patronais.
A reportagem cita dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, segundo os quais mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados, ante 11,7 horas dos homens; entre mulheres pretas e pardas o trabalho doméstico não remunerado é 1,6 hora maior que o de mulheres brancas.
“O cuidado tem que ser compartilhado entre homens e mulheres. Isso não é uma questão só cultural. É também de os homens terem mais tempo em casa para compartilharem o cuidado.” — Sandra Kennedy, secretária nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres
Reportagem com informações da Agência Brasil: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-05/flavio-bolsonaro-sugere-pagamento-por-hora-em-alternativa-escala-6×1
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