Em 2 de junho de 2026, a China oficializou o reconhecimento de todo o território brasileiro como área livre da febre aftosa. O anúncio foi feito em Pequim durante a visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, coroando mais de duas décadas de negociações técnicas entre autoridades sanitárias dos dois países.
Com a nova classificação, carnes bovinas e suínas brasileiras ganham acesso ampliado ao maior mercado consumidor do mundo. Produtos antes sujeitos a restrições — como miúdos, carne com osso e subprodutos — passam a poder ser exportados sem exigência de quarentena ou tratamentos adicionais, condição que tende a reduzir custos logísticos e melhorar a competitividade do agronegócio nacional.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, as vendas do agronegócio para a China superaram US$ 50 bilhões em 2025. A perspectiva agora, avaliam técnicos da pasta, é de incremento significativo na pauta de exportação já a partir do segundo semestre de 2026, em especial para estados que ainda enfrentavam limitações sanitárias regionais.
A decisão chinesa foi precedida pela assinatura, em maio de 2025, de um memorando de entendimento sobre medidas sanitárias e fitossanitárias. O documento, firmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil e pela Administração-Geral de Aduanas da China, estabeleceu rotinas de verificação, intercâmbio de informações e protocolos de resposta rápida em caso de surtos de doenças animais.
Analistas do setor de proteínas animais lembram que a febre aftosa, erradicada no país graças a campanhas de vacinação iniciadas ainda na década de 1990, era o principal entrave para a plena abertura do mercado chinês. Desde então, o Brasil avançou na regionalização do status sanitário e obteve o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Faltava, contudo, a chancela individual de importantes parceiros comerciais.
Empresários calculam que o novo cenário poderá gerar investimentos em frigoríficos localizados no interior, sobretudo voltados à habilitação para exportação à China. Também são esperados reflexos positivos sobre a indústria de suínos, que vê oportunidade de inserir cortes de maior valor agregado.
Entidades de produtores destacam que a manutenção do status livre de febre aftosa exigirá vigilância contínua nas fronteiras, rastreabilidade do rebanho e campanhas de educação sanitária. A criação de um fundo de emergência para eventuais focos é estudada pelo governo federal em parceria com estados e iniciativa privada.
Com a decisão anunciada em 2 de junho de 2026, Brasil e China reforçam a parceria estratégica no agronegócio, abrindo espaço para diversificação da pauta de exportações e consolidando o país sul-americano como fornecedor confiável de proteína animal.
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