Mais de R$ 482 milhões foram resgatados em abril pelo Sistema de Valores a Receber. Desde a criação da ferramenta, já foram devolvidos R$ 15 bilhões aos brasileiros.
Os correntistas brasileiros sacaram em abril R$ 482,8 milhões que estavam parados no Sistema de Valores a Receber (SVR), serviço do Banco Central que permite resgatar quantias esquecidas em contas bancárias, consórcios e outras instituições financeiras. Com esse resultado, o montante já devolvido desde a criação da ferramenta alcançou R$ 15 bilhões.
Mesmo após a última rodada de resgates, ainda havia R$ 10,3 bilhões disponíveis até o fim de abril. Parte desse saldo, porém, foi transferida pelo governo federal para reforçar o Desenrola Brasil 2.0, programa de renegociação de dívidas. No total, R$ 5,7 bilhões migraram para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), que funcionará como garantia das novas operações de crédito voltadas a reduzir a inadimplência.
Segundo o Ministério da Fazenda, os valores deslocados para o FGO continuam passíveis de solicitação. Um edital de chamamento público deverá ser publicado para disciplinar o procedimento de contestação e devolução desses recursos. Após a publicação, os titulares terão 30 dias para apresentar o pedido. Caso não haja manifestação no prazo, o dinheiro passará, em definitivo, a compor o fundo.
O SVR pode ser consultado gratuitamente. Para verificar a existência de saldos, o usuário informa CPF e data de nascimento — ou CNPJ e data de abertura, no caso de empresas — sem a necessidade de login. Se houver valores, é preciso entrar na plataforma com conta Gov.br nível prata ou ouro para conferir o montante, a origem, a instituição responsável e efetuar o pedido de devolução. O resgate pode ser feito diretamente com o banco, dentro do próprio sistema ou por meio da solicitação automática, funcionalidade que credita o valor na conta vinculada à chave Pix do tipo CPF.
Até abril, 41,46 milhões de clientes já haviam recuperado quantias: 36,96 milhões de pessoas físicas e 4,51 milhões de empresas. Outros 50,33 milhões de beneficiários ainda não buscaram seus direitos. A maior parte tem pouco a receber: 64,57% dos casos envolvem menos de R$ 10. Valores de R$ 10,01 a R$ 100 respondem por 23,42%, enquanto apenas 2,1% dos correntistas têm crédito superior a R$ 1 mil.
As fontes mais comuns de dinheiro esquecido incluem contas-correntes ou poupanças encerradas, tarifas ou parcelas cobradas indevidamente, sobras de cooperativas de crédito e recursos não procurados de grupos de consórcio concluídos.
O Banco Central reforçou alertas sobre tentativas de golpe. A autarquia lembra que não envia links nem entra em contato para confirmar dados pessoais. Todas as etapas do SVR são gratuitas, e nenhuma senha deve ser compartilhada.
As estatísticas oficiais do serviço são divulgadas com dois meses de defasagem, permitindo acompanhamento periódico do comportamento de saque e do perfil dos beneficiários em todo o país.
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