O Rioprevidência vai repassar cerca de R$ 100 milhões ao fundo previdenciário estadual. Decisão redireciona excedente do caixa administrativo para garantir aposentadorias e pensões de servidores.
O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) divulgou, em 09/06, uma mudança na política de gestão de caixa que redireciona recursos excedentes do seu Fundo Administrativo para o pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais. A decisão, aprovada pela diretoria executiva em 02/06, estabelece que todo valor que ultrapassar 150% das despesas administrativas dos 12 meses anteriores será repassado, ao fim de cada mês, ao Fundo Previdenciário.
Segundo estimativas internas, aproximadamente R$ 100 milhões devem migrar para o custeio direto dos benefícios até dezembro de 2026. A proposta ainda será avaliada pelo Conselho de Administração do Rioprevidência, cuja reunião ordinária está marcada para o fim de junho. Se confirmada, a regra passa a valer imediatamente após a ata do colegiado ser publicada.
A autarquia também decidiu adotar orientação de investimentos mais conservadora para o Fundo Administrativo. Aplicações de curto prazo e maior liquidez ganham prioridade, reduzindo a exposição a papéis de risco elevado. O objetivo é elevar a segurança das reservas usadas para cobrir a estrutura operacional do instituto.
“Não há sentido em submeter os recursos do custeio administrativo a investimentos de longo prazo, naturalmente mais arriscados”, afirmou o diretor-presidente Felipe Derbli, destacando que a nova metodologia também impõe um teto informal às despesas correntes.
O movimento ocorre em meio às investigações da Polícia Federal no chamado Caso Master. Em 26/05, a oitava fase da Operação Compliance Zero analisou aportes de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência em Letras Financeiras e fundos ligados ao Banco Master. Relatório parcial da PF indica que, entre outubro de 2023 e julho de 2024, R$ 970 milhões foram aplicados em títulos do banco e, de dezembro de 2024 a outubro de 2025, outros R$ 2,01 bilhões migraram para fundos estruturados pela mesma instituição.
O caso também envolve o ex-governador fluminense Cláudio Castro. As informações foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal. A autarquia não comentou detalhes da investigação, mas reforçou que as medidas anunciadas visam “maior previsibilidade financeira” e “blindagem contra oscilações de mercado”.
Com a reversão dos excedentes e a nova política de alocação, o Rioprevidência busca fortalecer a solvência do sistema previdenciário estadual sem recorrer a aportes adicionais do Tesouro fluminense. Técnicos consultados avaliam que a iniciativa alinha o fundo às melhores práticas de governança, embora ressaltem que a efetividade dependerá de disciplina contínua na gestão das despesas.
Até a apreciação final do Conselho de Administração, a diretoria deverá apresentar projeções atualizadas de fluxo de caixa e um cronograma para execução das transferências mensais. O panorama será monitorado de perto por servidores e entidades representativas, que acompanham com expectativa o impacto da medida sobre a sustentabilidade de longo prazo dos benefícios.
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