O Ministério do Petróleo anunciou descoberta no sul da província de Fars: mais de 7,5 trilhões de pés³ (212,4 bilhões de m³). Estimativa preliminar prevê extração de cerca de 5,7 bilhões de pés³ para reforçar o abastecimento doméstico.
O Ministério do Petróleo do Irã informou que localizou mais de 7,5 trilhões de pés cúbicos, equivalentes a 212,4 bilhões de metros cúbicos, de gás natural em um novo campo situado no sul da província de Fars. O anúncio foi feito nesse domingo (23) pelo titular da pasta, Mohsen Paknejad, em declarações divulgadas pela mídia estatal.
De acordo com o ministro, a estimativa preliminar aponta para uma taxa de recuperação que permitiria extrair cerca de 5,7 bilhões de pés cúbicos desse reservatório. O volume é visto internamente como estratégico para reforçar o abastecimento doméstico e ampliar a capacidade de exportação do país.
“O gás é classificado como doce, o que representa menor teor de enxofre e, portanto, redução nos custos de desenvolvimento e operação”, detalhou Paknejad.
O potencial recém-identificado surge em um momento em que Teerã executa reparos extensivos em instalações de produção, transporte e estocagem danificadas pela guerra iniciada no fim de fevereiro contra Israel e os Estados Unidos. Técnicos trabalham para restabelecer fluxos interrompidos, enquanto sanções adicionais anunciadas por Washington tendem a pressionar fornecedores de equipamentos e linhas de crédito internacionais.
Antes do conflito, estimativas oficiais situavam a produção iraniana em aproximadamente 650 milhões de metros cúbicos (mcm) de gás por dia, algo na ordem de 8,4 trilhões de pés cúbicos anuais. O confronto reduziu essa marca em cerca de 230 mcm diários, segundo cálculos de especialistas do setor.
Em julho, uma alta autoridade do governo projetou recuperar perto de 100 mcm por dia “nos próximos meses”, à medida que frentes de trabalho avançam sobre poços críticos e estações de compressão. Ao comentar o achado em Fars, técnicos consultados avaliam que a composição “doce” do gás pode acelerar as fases de separação de CO₂ e enxofre, tornando a comercialização mais competitiva na comparação com campos de perfis semelhantes no Golfo Pérsico.
No front externo, autoridades dos Estados Unidos reiteraram recentemente que pretendem impor “as sanções mais severas da história” contra Teerã, mirando especialmente a cadeia de energia. Analistas avaliam que a descoberta pode fortalecer a posição iraniana em futuras negociações, embora a infraestrutura deva enfrentar gargalos logísticos e financeiros para atingir pleno potencial produtivo.
Especialistas em geopolítica energética lembram que, além das restrições financeiras, o Irã precisa modernizar rotas de exportação para mercados asiáticos e europeus. Esse desafio inclui a construção de novos gasodutos e terminais de gás natural liquefeito (GNL), projetos que exigem aporte de tecnologia estrangeira atualmente limitado pelas penalidades econômicas impostas.
A partir do avanço das obras de recomposição e da nova reserva, o governo planeja revisar o plano decenal de energia, cuja meta original previa elevar o consumo interno de gás para reduzir a queima de petróleo em usinas térmicas e ampliar a disponibilidade de barris para exportação.
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