Confronto mais intenso desde julho: forças americanas atingiram defesas aéreas, radares, navios e unidades de minas no Irã. Em retaliação, Teerã lançou mísseis e drones contra bases americanas no Oriente Médio.
O Golfo Pérsico voltou a ser palco de forte tensão nesta quarta-feira (02/09), quando forças norte-americanas atingiram a costa sul do Irã e, em resposta, Teerã lançou mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos espalhadas pelo Oriente Médio. Trata-se do confronto mais intenso entre os dois países desde julho, elevando o risco de um conflito regional de maiores proporções.
Segundo comunicado do Comando Central dos EUA, divulgado na terça-feira (1º), os ataques miraram defesas aéreas da Guarda Revolucionária, sistemas de radar, recursos navais, unidades de colocação de minas e centros de comunicação. A imprensa iraniana relatou explosões em vários alvos próximos ao Estreito de Ormuz, via estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial.
Teerã reagiu atingindo, ou tentando atingir, bases norte-americanas no Barein, na Jordânia, no Kuwait e no Iraque. O país declarou que seu objetivo é expulsar as tropas norte-americanas da região. Na Jordânia, as Forças Armadas informaram ter interceptado dez dos 13 mísseis disparados; três teriam caído em áreas desabitadas. Autoridades dos EUA afirmaram não haver registro de vítimas, apesar de a Guarda Revolucionária alegar ter provocado “grande número” de baixas.
“A maldade norte-americana na região será recebida com respostas mais pesadas, mais generalizadas e devastadoras, e qualquer país que cooperar com o agressivo exército dos EUA deve aceitar as consequências perigosas”, declarou o comando militar iraniano.
No Kuwait, Teerã afirmou ter alvejado a Base Aérea Ali Al Salem e a residência de um comandante norte-americano. O Corpo de Bombeiros local relatou que um complexo residencial foi atingido por um drone, causando danos materiais, mas sem deixar feridos. Já o Catar, onde fica a maior base aérea dos EUA no Golfo, responsabilizou o Irã pelos ataques e alertou para “repercussões legais”. O Barein, sede do comando naval norte-americano na região, disse ter destruído drones antes que alcançassem seu território.
A escalada também afetou o mercado financeiro: bolsas asiáticas e europeias recuaram, enquanto o barril de petróleo voltou a patamares não vistos desde julho, pressionando ainda mais a inflação global.
No campo humanitário, autoridades iranianas afirmaram que ao menos 12 civis morreram durante a ofensiva norte-americana, entre eles cinco pessoas que participavam de um casamento em Sirik, cidade litorânea no Estreito de Ormuz. A imprensa local divulgou imagens de crianças feridas em hospitais e escombros de uma residência.
“Só fico feliz que o número de vítimas não tenha sido ainda maior”, disse Ali Molahi, identificado como pai da noiva.
Além do duelo de mísseis, Teerã relatou que dois petroleiros foram avariados por minas marítimas enquanto navegavam pelo Estreito de Ormuz sob escolta norte-americana. Washington não comentou a acusação.
Analistas apontam que o episódio amplia a volatilidade na principal rota energética do planeta e ameaça arrastar potências regionais para um ciclo de retaliações sem precedentes desde o início da presença militar dos EUA no Oriente Médio, há décadas.
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