Sessão tensa: dólar avançou 0,49%, a R$5,149, e o Ibovespa recuou 0,91%, a 185.500,88. Alta do petróleo e turbulência geopolítica fizeram investidores buscarem proteção.
O mercado financeiro brasileiro viveu uma segunda-feira de tensão, com investidores reagindo a um conjunto de fatores internos e externos que reforçaram a busca por proteção. Ao fim do pregão, o dólar à vista avançou 0,49% e encerrou cotado a R$ 5,149, bem perto da máxima do dia, de R$ 5,183 registrada pela manhã. No mesmo intervalo, o Ibovespa recuou 0,91%, aos 185.500,88 pontos, em linha com o tom de cautela observado nas principais praças globais.
O movimento de valorização da moeda norte-americana refletiu, sobretudo, a combinação entre nova alta dos preços do petróleo e turbulências geopolíticas que reacenderam a chamada aversão ao risco. No exterior, o índice DXY — que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes — subiu 0,41% e tocou 99,508 pontos, reforçando o fluxo para ativos considerados mais seguros.
A escalada do petróleo foi mais um ingrediente de pressão. O Brent para novembro chegou a saltar quase 5% durante a manhã, tocando US$ 109,80, depois de relatos de ataques contra infraestrutura energética na Arábia Saudita e a navios no Oriente Médio. Apesar da perda de força ao longo da tarde, a commodity fechou a US$ 105,68, alta de 1,02%, acumulando ganhos superiores a 15% somente em setembro.
Mesmo com um alívio parcial após sinais de que Washington e Teerã podem retomar negociações, analistas destacaram que a manutenção do barril acima dos US$ 100 eleva preocupações sobre inflação e mantém a política monetária no radar. A decisão do Federal Reserve sobre os juros dos Estados Unidos está prevista para quarta-feira (17), enquanto, no Brasil, agentes aguardam novo corte da Selic, hoje em 14,25% ao ano.
No front doméstico, incertezas políticas adicionaram volatilidade. Pesquisas eleitorais divulgadas ao longo do dia e a expectativa pela análise, pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, de investigação envolvendo o Banco Master foram apontadas por operadores como fatores que ampliaram os ajustes de carteira.
Entre as ações, papéis de mineradoras figuraram entre as principais baixas, acompanhando a queda dos contratos futuros de minério de ferro na China. O volume financeiro da B3 somou R$ 24,4 bilhões, inferior à média recente, sinalizando postura mais defensiva de grandes players.
No acumulado de 2026, o dólar ainda exibe queda de 6,19%, reflexo principalmente da entrada de capital estrangeiro no início do ano. Já o Ibovespa sustenta valorização modesta em torno de 3%, mas especialistas alertam que a trajetória dependerá da dinâmica dos juros internacionais, do ritmo de cortes da Selic e da evolução do cenário eleitoral.
Para esta terça-feira (15), operadores projetam sessão novamente volátil, com atenção redobrada a dados de inflação dos EUA, ao noticiário político local e à primeira parte da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será concluída na noite de quarta-feira.
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