A PMC do IBGE divulgada hoje (15/09) aponta recuo de 0,8% no volume de vendas entre junho e julho. A média móvel trimestral ficou negativa (-0,1%) e o acumulado em 12 meses desacelerou para 1,6%.
O volume de vendas do comércio varejista nacional caiu 0,8% de junho para julho, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) divulgada HOJE, 15/09, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado confirma a perda de fôlego observada desde o início do segundo semestre e faz o acumulado em 12 meses desacelerar para 1,6%.
A média móvel trimestral — indicador que reduz oscilações pontuais — também ficou negativa, em -0,1%, reforçando o quadro de moderação no ritmo de vendas. Mesmo com a retração, o nível de atividade permanece 10,6% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e apenas 1,5% abaixo do recorde histórico registrado em março de 2026.
Segundo o IBGE, a comparação interanual evidencia a desaceleração: em março, o acumulado em 12 meses alcançava 2,3%; agora, está em 1,6%. No acumulado de 2026 até julho, o setor ainda exibe avanço de 1,8%.
Desempenho por atividade
Das oito atividades pesquisadas, cinco recuaram na passagem mensal:
Variação de junho para julho
- móveis e eletrodomésticos: -4,9%
- livros, jornais, revistas e papelaria: -4,2%
- tecidos, vestuário e calçados: -2,7%
- outros artigos de uso pessoal e doméstico: -2,2%
- hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: -0,2%
- artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 0,6%
- equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: 0,6%
- combustíveis e lubrificantes: 0,3%
O comércio varejista ampliado — que incorpora veículos, motos, peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo — registrou alta de 0,4% na comparação mensal e variação positiva de 1,2% em 12 meses.
“É como se as pessoas tivessem concentrado a capacidade de consumo desses produtos que têm a ver com a Copa principalmente em maio”, afirmou o analista da pesquisa, Cristiano Santos, ao comentar o recuo expressivo nos segmentos de eletrodomésticos, papelaria e vestuário.
De acordo com Santos, itens associados ao evento esportivo — como televisores e álbuns de figurinhas — tiveram forte procura nos meses que antecederam a competição, elevando a base de comparação e contribuindo para a queda observada em julho.
“Todo mundo que iria comprar uma televisão, aproveitou que teria Copa e comprou em maio”, exemplificou o pesquisador.
No horizonte de 12 meses, entretanto, a venda de móveis e eletrodomésticos ainda sobe 3,9%, sinalizando que, apesar do recuo pontual, o segmento manteve desempenho positivo no período mais longo.
O levantamento do IBGE também mostra que, na passagem de junho para julho, o setor de serviços permaneceu estável (0%), enquanto a indústria avançou 0,2%. Assim, a PMC completa a leitura conjuntural da economia referente ao sétimo mês do ano.
Para analistas, a combinação de juros ainda elevados, mercado de trabalho que perde tração e base de comparação inflada pelos gastos extraordinários com a Copa explica parte da perda de ritmo nas vendas. A expectativa é de que o varejo continue dependente de fatores como renda real, crédito e confiança do consumidor para retomar trajetórias mais robustas nos próximos trimestres.
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