No relatório ao Congresso (15/9), Trump diz que o governo brasileiro "não conseguiu enfrentar" as facções PCC e Comando Vermelho. O documento afirma que elas transformaram o Brasil em um centro de fluxos ilícitos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incluiu críticas duras ao Brasil no relatório anual sobre combate às drogas ilícitas enviado ao Congresso norte-americano em 15 de setembro. No documento, que cobre o ano fiscal de 2027, o chefe da Casa Branca afirma que o governo brasileiro “não conseguiu enfrentar” as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
“O governo do Brasil não conseguiu enfrentar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína”, registra o texto assinado pelo presidente.
Trump sustenta que “muitos governos do Hemisfério Ocidental” adotaram “medidas corajosas” para reduzir o tráfico, mas considera que Brasília ficou para trás. Mesmo assim, o país não aparece na lista de nações classificadas como tendo “falhado de maneira demonstrável” no cumprimento de obrigações internacionais de combate às drogas, grupo que engloba Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela.
O relatório lembra que Washington já havia designado PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A decisão foi anunciada pelo Departamento de Estado em 28 de maio e entrou em vigor em 5 de junho, com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e em ordem executiva de Trump.
Segundo o documento, a classificação amplia instrumentos de sanção contra pessoas ou entidades ligadas às facções. Na época da designação, o governo brasileiro contestou o rótulo e defendeu que o enfrentamento ao crime organizado seja comandado pelo Brasil, em cooperação internacional e com respeito à soberania nacional.
Apesar da cobrança direcionada a Brasília, o texto de Trump elogia governos que, na avaliação do presidente, demonstraram avanços. Argentina, Equador e El Salvador aparecem como exemplos positivos. Há menções favoráveis às recentes mudanças de governo em Colômbia, Bolívia e Peru. Em Bogotá, a eleição de Abelardo de la Espriella é citada como sinal de “campanha agressiva” contra o cultivo de coca; em La Paz, a gestão de Rodrigo Paz é considerada “novo capítulo” nas relações bilaterais; e em Lima, Trump destaca o compromisso da presidente Keiko Fujimori em colaborar com aliados para reduzir o fluxo de cocaína aos EUA.
No sentido oposto, o presidente norte-americano mantém tom crítico em relação a México e Canadá. O documento afirma que laboratórios clandestinos em território canadense continuam produzindo fentanil e que precursores químicos entram nos EUA pela fronteira norte. Sobre o México, Trump cobra “medidas adicionais” contra “organizações narcoterroristas” que, segundo ele, dominam partes do país.
“O México precisa reforçar a integridade de sua cadeia de fornecimento, buscando maior participação do setor privado e aumentando significativamente as inspeções em seus pontos de entrada”, diz o trecho.
A lista de países considerados importantes no trânsito ou na produção de entorpecentes inclui Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela. O Brasil fica fora dessa relação, embora figure nas críticas do presidente.
Procurado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil ainda não havia se pronunciado até a conclusão desta matéria.
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