O Itamaraty detalhou a agenda do presidente na 81ª Assembleia da ONU e coordenou pedidos de reuniões bilaterais. Entre eles está o do prefeito nova-iorquino Zohran Mamdani, pendente de confirmação.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) detalhou, nesta quarta-feira (16), a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Nova York para a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para a próxima semana. Entre os pedidos de encontros bilaterais recebidos pelo Itamaraty, um dos que mais chama atenção parte do prefeito nova-iorquino Zohran Mamdani. A reunião, contudo, ainda carece de confirmação por parte do governo brasileiro.
Mamdani tomou posse no início deste ano, é descendente de imigrantes, o primeiro muçulmano a administrar a cidade e se identifica como socialista. Ele defende temas como a causa palestina, moradia acessível, congelamento de aluguéis, gratuidade no transporte público e políticas para reduzir o custo de vida em uma das metrópoles mais caras do planeta.
Segundo o Itamaraty, a solicitação para a conversa foi formalizada pelo gabinete do prefeito e integra uma lista de pleitos semelhantes que aguardam agendamento. Por ora, a confirmação depende de compatibilidade de horários na apertada agenda presidencial.
Lula e comitiva decolam rumo aos Estados Unidos no domingo (20). A segunda-feira (21) será dedicada a encontros bilaterais com chefes de Estado e representantes de organismos internacionais. Na terça-feira (22), o presidente brasileiro se reúne com o secretário-geral António Guterres e, em seguida, abre oficialmente a sessão plenária da Assembleia Geral, tradição reservada ao Brasil desde 1947. O tema deste ano é “Restaurando a confiança, administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”.
“Nossa expectativa é que ele [discurso] contenha, em função do momento em que vivemos, uma defesa forte do multilateralismo como linha básica da política externa brasileira, nesse momento em que os conflitos se multiplicam a nível internacional”, destacou o embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do MRE.
O conteúdo final do pronunciamento ainda está em elaboração, mas deve incluir defesa da reforma do sistema ONU, promoção da paz, combate à fome, redução da pobreza e fortalecimento da cooperação bilateral.
Terminada a fala, Lula retorna ao Brasil ainda na terça-feira. Apesar de o presidente dos Estados Unidos ser o segundo a discursar, o MRE afirma não haver, até o momento, previsão de reunião formal entre os dois líderes. No ano passado, eles tiveram apenas um rápido encontro nos bastidores, descrito posteriormente como cordial.
Integram a comitiva brasileira o chanceler Mauro Vieira e os ministros Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos), Eloy Terena (Povos Indígenas) e Rachel Barros de Oliveira (Igualdade Racial). Mauro Vieira também deve presidir, em Nova York, uma sessão da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, criada durante a presidência brasileira do G20 em 2024. A iniciativa já soma mais de 215 membros, sendo mais de 100 países, e busca mobilizar governos, organismos internacionais, instituições financeiras e a sociedade civil para enfrentar, em escala global, a fome e a miséria.
Além das atividades oficiais, o Planalto monitora outros pedidos de encontro que poderão ser encaixados de última hora, a depender da dinâmica de cada delegação. O cronograma, no entanto, só será fechado na véspera, prática comum em eventos multilaterais de grande porte.
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