Biografias de personalidades negras importantes da história do país vêm sendo censuradas de forma sistemática no site da Fundação Palmares, instituição federal que tem como objetivo zelar por essa memória. A informação foi publicada no jornal Folha de São Paulo, nesta segunda-feira (15).
Funcionários e pesquisadores acusam o presidente da fundação, Sérgio Camargo, apontado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de negar a importância dessas figuras históricas, em especial aqueles que se projetaram como símbolos da esquerda. Cinco meses depois que Camargo assumiu o comando da fundação, o site do órgão sediado em Brasília perdeu uma de suas principais páginas.
Entre servidores da Palmares, o que se diz é que Camargo ordenou que a página fosse apagada. O endereço da internet mostrava um mosaico com fotografias e nomes. Esse mosaico dava acesso a vários artigos sobre a vida de homens e mulheres negras, entre eles a de Zumbi dos Palmares, considerado um líder negro dos mais importantes na história do país, mas que Camargo tem atacado como parte do projeto de revisionismo histórico da chamada ala ideológica do governo.
Pessoas que falaram sobre o caso pediram anonimato por terem medo de demissão, prática que tem atingido outros servidores ligados à Secretaria Especial da Cultura no governo Bolsonaro. Numa gravação revelada pelo jornal O Estado de S.Paulo, registrada sem que ele soubesse, Camargo chamou o movimento negro de “escória maldita”.
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