A mineração desmatou 405,36 km² da Amazônia Legal nos últimos cinco anos, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). A área desmatada, incluindo Unidades de Conservação, equivale a cerca de 40,5 mil campos de futebol. A informação foi divulgada pelo G1, neste domingo (6).
Entre 2019 e 2020, o desmatamento causado pela atividade mineradora registrou recordes e avançou sobre áreas de conservação. Segundo os levantamentos, o mês com a maior devastação foi maio de 2019, com 34,4. Já em 2020, os piores meses foram junho (21,85 km²), agosto (15,93 km²) e setembro (7,2 km²).
Nas Unidades de Conservação, onde há características naturais que precisam ser preservadas, o desmate por mineração cresceu 80,62% no primeiro trimestre de 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com o Greenpeace. Nestas áreas, espécies ameaçadas e ecossistemas são resguardados, teoricamente.
Segundo o engenheiro agrônomo e cofundador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Beto Veríssimo, a atividade contamina rios e pessoas, gera violência contra comunidades tradicionais e desencadeia outras ações predatórias, principalmente quando feita de forma ilegal.
“O garimpo na Amazônia nunca está sozinho: ele abre caminho a outras atividades ilegais na floresta. Onde aparece garimpo, também ocorre exploração da madeira, invasão, pecuária nas bordas e assim por diante”, disse.
“O garimpo na Amazônia está mais empresarial. Não são mais aventureiros que migram em busca de ouro, como foi em Serra Pelada. Agora, as empresas estão por trás, financiando a compra de maquinário, cooptando trabalhadores, pessoas vulneráveis e lideranças para atuarem por eles nas florestas”, acrescentou Veríssimo.
Procurados pelo G1, o Ministério do Meio Ambiente não se posicionou sobre o assunto. Já o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não informou os dados sobre fiscalização e aplicação de multas relacionadas ao garimpo e mineração na Amazônia por estarem inacessíveis por tempo indeterminado devido a uma migração de sistema.
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