Um estudo da Fiocruz Amazônia mostrou que a nova variante do coronavírus encontrada em Manaus já é predominante na região. A pesquisa foi feita em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas e o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) local.
Uma nova linhagem do Sars-CoV-2, chamada de B.1.1.28, foi identificada em dezembro de 2020 pela Fiocruz no Rio de Janeiro. A variante de Manaus, segundo o estudo, evoluiu regionalmente e virou a linhagem própria B.1.1.28.1. Ela foi identificada inicialmente no Japão, por viajantes que estiveram no Amazonas.
Pesquisadores tem mostrado preocupação com o fato. À Folha de São Paulo, o pesquisador em saúde pública da Fiocruz, Felipe Naveca, afirmou que “isso preocupa porque a P.1 tem dez mutações na proteína S, e três delas são as mesmas observadas nas variantes de fora do país, que podem estar relacionadas a maior transmissibilidade e maior letalidade”.
Os pesquisadores ainda hesitam em dizer que esta variante do coronavírus é a mais letal, mas internamente isso já é tratado, assim como com as variantes encontradas na África do Sul e no Reino Unido. As três evoluíram de forma independente, o que também gera preocupação.
“Para ter surgido em três lugares distintos com as mesmas mutações é porque alguma vantagem para o vírus essas mutações estão trazendo”, acrescentou Naveca, destacando o conceito de convergência. Ele se dá quando grupos sem relação entre si apresentam as mesmas características.
Porém, a falta de cuidados e a alta concentração de casos também são problemas que agravam a situação. Segundo Felipe Naveca, “a variante é autoalimentada na medida em que ela se torna a mais transmissível porque existem mais casos de contaminação, e ela se torna mais frequente por ter essas vantagens de entrada nas células. É um ciclo”.
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