Atuando no combate à covid-19, em Aracaju, o enfermeiro e professor do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Lino Eduardo Farah, 41 anos, acabou contaminado pelo adversário. Em entrevista ao AjuNews, ele lembra qual foi o maior medo enquanto se recuperava da doença e cumpria o isolamento longe da família.
“Essa foi a pior parte para mim, porque eu vejo os meus filhos todos os dias, eu faço questão de almoçar com eles, raríssimo os momentos que eu não vou lá vê-los. Esse foi o episódio que me machucou, foi ter ficado longe deles, mas espiritualmente estávamos ligados porque nós conversávamos todos os dias por ligações de vídeo. Esse foi o maior drama disparado de toda pandemia para mim”, disse o agente de saúde se referindo aos dois filhos, Maria Eduarda, 12 anos, e Daniel, 9 anos. Foram 14 dias longe das crianças.
Questionado sobre a missão de ser enfermeiro e pai durante a pandemia, Lino contou que montou um “esquema de guerra” em casa e uma “área hospitalar” como medida de prevenção e conscientização sobre o vírus. Além disso, ele relatou que não conseguiu passar muito tempo em casa e que o trabalho chegou a triplicar, no entanto, mesmo assim ele buscou ficar ainda mais presente.
Para Lino, ser pai é uma das missões mais fantásticas que aconteceu com ele. “Modéstia parte eu nasci para ser pai, eu adoro ser pai, se eu soubesse eu teria sido antes, para mim é fantástico, para mim é sem palavras, me preenche, eu sou meio suspeito a falar sobre isso”, relatou.
Segundo o enfermeiro, outro desafio foi a reação das pessoas. Ele afirmou que durante esta pandemia, já sofreu preconceitos, foi expulso de lugares e agredido verbalmente por estar com a farda do Samu. Lino contou que a primeira situação aconteceu no elevador do condomínio em que ele mora.
“Eu não podia chegar perto e as pessoas eram muito ríspidas. As pessoas nitidamente estavam incomodadas com a minha presença. Um vez uma pessoa deixou cair alguma coisa e eu só fui pegar para ela e gritaram comigo. E a segunda questão foi num restaurante, eu fui pegar comida para viagem em um treinamento que estávamos dando e a pessoa pediu para que eu não entrasse, que eu pedisse de longe”, lamentou.
Apesar de enfrentar tudo isso, Lino vai passar o dia dos pais ao lado do seu porto seguro, seus dois filhos. “Minha missão de ser pai continua, inclusive, ser mais presente ainda para tirar as dúvidas, os medos, e ver como eles iriam reagir a ficar de quarentena. Então, teve todos esses desafios, mas foi bom, o saldo para mim foi positivo, eu fiquei mais próximo deles”, comemorou o professor.
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