O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou nesta sexta-feira (27) que acompanha de forma contínua as cadeias de suprimentos que podem ser afetadas pelo conflito no Oriente Médio. Entre os itens sob vigilância estão os fertilizantes, como o nitrato de amônio, cuja importação pelo Brasil foi temporariamente interrompida pela Rússia em razão da guerra contra a Ucrânia.
O Mapa destacou que a instabilidade internacional já vinha provocando volatilidade de preços desde o início do conflito europeu, há quatro anos, e ampliando a disputa global por insumos agrícolas. Para evitar prejuízos adicionais aos produtores rurais brasileiros, o ministério mantém diálogo com diversos atores do setor em busca de alternativas logísticas, de importação e de estratégias que assegurem o abastecimento nacional.
Segundo a pasta, o Brasil depende de importações para uma “parcela significativa” dos fertilizantes utilizados na produção agrícola. Por isso, o governo reforçou a necessidade de cautela por parte do mercado e dos produtores.
Especulação
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, apontou que a incerteza externa tem alimentado movimentos especulativos que pressionam os preços dos fertilizantes.
A melhor forma de enfrentar a especulação é “não comprar quando o preço está artificialmente elevado”.
Em nota, o ministério lembrou que a safra de inverno já está plantada ou em fase final de implantação, o que reduz a necessidade imediata de novos insumos. A próxima grande demanda está prevista para setembro, com o início do plantio da safra de verão.
“Quem precisava comprar fertilizante para a safra atual já o fez. Para a safra de verão, ainda há tempo. Por isso, a orientação neste momento é aguardar o desenrolar do cenário internacional e evitar compras precipitadas”, explicou Fávaro.
O ministro acrescentou que o setor dispõe de tecnologias e estratégias de manejo capazes de otimizar o uso de nutrientes nas lavouras, atenuando possíveis impactos das oscilações de preços no mercado externo.
Riscos
Consultado pela Agência Brasil, o integrante do Conselho Popular do Brics Marco Fernandes lembrou que grande parte dos fertilizantes mundiais passa pelo Estreito de Ormuz. Para ele, uma interrupção nessa rota pode gerar crise de produção e elevar o preço dos alimentos, “o que pode resultar na morte de milhares de pessoas em todo o mundo”.
“O cenário que se configura, portanto, vai além da questão energética. É um cenário muito preocupante”, avaliou o analista geopolítico do portal Brasil de Fato.
Fonte: Agência Brasil
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