Vice-presidente quer destravar trecho da ferrovia entre Salgueiro e o Porto de Suape. Obra está licitada e contratada, aguardando só aval do órgão de controle.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, declarou nesta sexta-feira (12) que atuará pessoalmente junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para destravar as obras do trecho da ferrovia Transnordestina que liga Salgueiro (PE) ao Porto de Suape, na Região Metropolitana do Recife. Segundo o governo, o segmento, que corta os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, está licitado e contratado, restando apenas o aval do órgão de controle para que as máquinas comecem a trabalhar.
“Nós vamos trabalhar junto ao TCU para liberar o mais rápido possível, porque esse trecho da Transnordestina que vem para Suape já está licitado e contratado. É só o TCU dar o ok que as obras podem começar”, disse Alckmin, durante a inauguração do novo terminal de contêineres da APM Terminals, no Complexo Industrial Portuário de Suape.
A corte de contas suspendeu, em maio, a contratação dos serviços até a apresentação de novos estudos de viabilidade. O TCU concedeu prazo de 30 dias para que a Infra S.A. entregue um plano atualizado com Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), já que o documento em vigor data de 2017. A determinação ainda impede a assinatura de compromissos financeiros adicionais antes da comprovação do benefício socioeconômico do projeto.
O processo envolve Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Ministério dos Transportes. A malha foi devolvida pela concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA) em 2022 e, desde então, transformou-se em obra pública considerada estratégica para reduzir custos logísticos, integrar cadeias produtivas e gerar empregos no Nordeste.
Além da defesa da ferrovia, Alckmin inaugurou o primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina, operado pela APM Terminals, braço da dinamarquesa Maersk. Com investimento superior a R$ 2 bilhões, a estrutura eleva em 55% a capacidade do porto pernambucano e inicia operações com potencial para movimentar 400 mil TEUs por ano, podendo chegar a 1,3 milhão de TEUs.
“O terminal portuário é o primeiro do país e da América Latina 100% eletrificado, o que mostra preocupação com a questão ambiental”, ressaltou o vice-presidente.
No mesmo evento, foram assinadas ordens de serviço para obras de drenagem e urbanização dos canais Mauricéia e Sanbra, no Recife, estimadas em mais de R$ 60 milhões via Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Também houve autorização para a dragagem e readequação da infraestrutura aquaviária do Porto do Recife, com aporte federal de R$ 93,5 milhões e conclusão prevista até dezembro de 2026. Outros R$ 14,5 milhões serão destinados à modernização das defensas dos berços de atracação, reforçando a segurança das operações portuárias.
Já sobre a ferrovia, o TCU impôs, no dia 28, novas exigências na repactuação da concessão, proibindo o uso de indenizações e multas para quitar obrigações antigas da concessionária. Os valores deverão financiar exclusivamente novos investimentos na Transnordestina, reforçando o compromisso com a expansão logística regional.
Para o governo, a liberação imediata das obras no trecho Salgueiro–Suape é fundamental para que o modal ferroviário se some ao terminal portuário recém-inaugurado, criando um corredor de escoamento de grãos, minérios e bens industrializados, além de impulsionar a chegada de novas indústrias ao entorno de Suape.

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