Em coletiva concedida na manhã de terça-feira, 2 de junho, em Brasília, o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, classificou como “extremamente injusta” a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para impor tarifa de 25% a produtos brasileiros ao amparo da Seção 301. A medida ainda precisa ser confirmada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, até 15 de julho.
Alckmin ressaltou que o governo trabalha para reverter a proposta antes da decisão final. Ele destacou que o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, criado em 2020 pelo Banco Central, está fora de qualquer acordo comercial.
“O Pix é patrimônio nacional, uma conquista que não onera empresas nem cidadãos e beneficia toda a economia. Não há lógica em incluí-lo em negociações, porque não prejudica ninguém”, afirmou.
Segundo o vice-presidente, setores internos estariam tentando sabotar o diálogo bilateral por motivações eleitorais.
“Sempre que o diálogo avança, falsos patriotas sabotam e colocam interesses pessoais acima do interesse público”, acusou.
Alckmin vinculou esse comportamento a possíveis impactos negativos sobre emprego, renda e competitividade das empresas nacionais.
Ele também contestou o argumento de desequilíbrio comercial apresentado por Washington. De acordo com dados do Ministério da Indústria, a soma das trocas de bens e serviços em 2025 resultou em superávit de US$ 40 bilhões para os Estados Unidos. Dos dez principais itens importados pelo Brasil, oito entram com alíquota zero graças ao regime de ex-tarifário, enquanto a tarifa média aplicada é de 3,1%.
Em sentido oposto, o vice-presidente apontou barreiras norte-americanas no mercado de açúcar: a cota brasileira é limitada a 150 mil toneladas e o volume acima desse teto sofre sobretaxa equivalente a 80% de tarifa de importação. “Há um desequilíbrio total em prejuízo do nosso país”, resumiu.
Sobre a menção do USTR ao desmatamento ilegal, Alckmin citou avanços na agenda climática. Segundo ele, os seis biomas brasileiros registraram a maior queda de desmatamento dos últimos sete anos, com redução de 50% na Amazônia. O compromisso oficial é zerar o desmatamento ilegal até 2030.
Para tentar resolver o impasse, o grupo de trabalho bilateral intensificará reuniões técnicas. Os ministros Márcio Elias Rosa (MDIC) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) buscarão encontros com o representante comercial norte-americano, embaixador Jamieson Greer, durante o Conselho Ministerial da OCDE em Paris, nesta quarta-feira, 3 de junho.
Alckmin recordou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump estiveram reunidos em 7 de maio, na Casa Branca, durante cerca de três horas, sinalizando disposição para uma saída negociada. “Seguiremos dialogando até o último momento para evitar medidas que prejudiquem empresas, trabalhadores e consumidores dos dois lados”, concluiu.
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