A autarquia prevê mais de R$50 bilhões em investimentos privados com três certames no ano. O primeiro pregão, em abril, tem lotes de grande porte e ampla malha de linhas e subestações.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai manter um calendário robusto de licitações em 2027. De acordo com o secretário de Leilões, Ivo Sechi Nazareno, a autarquia prepara três certames de transmissão de energia para o próximo ano, capazes de movimentar mais de R$ 50 bilhões em investimentos privados.
O anúncio ocorreu nesta sexta-feira (30), logo após o encerramento do último leilão de 2026, realizado na B3. Segundo Nazareno, o primeiro pregão de 2027 deve ocorrer em abril e já atrai atenções do mercado por envolver lotes de grande porte e extensa malha de linhas e subestações.
No segundo semestre, a Aneel pretende concentrar dois leilões praticamente em sequência. Um deles está programado para outubro e incluirá um novo sistema de transmissão em corrente contínua com tecnologia Voltage Source Converter (VSC), ainda inédito no país. O outro, previsto para dezembro, abrangerá projetos em corrente alternada.
“Para o segundo semestre de 2027, há a expectativa de duas licitações de transmissão, uma envolvendo o sistema de corrente contínua e tecnologia inédita, VSC. Em detrimento das tecnologias das contratações anteriores que são diferentes, ela é mais complexa, elaborada e mais moderna. Provavelmente esses contratos que se originarem desse leilão serão os maiores que o Brasil já contratou em transmissão”, detalhou Ivo Sechi.
Os dois certames do segundo semestre serão instruídos simultaneamente pela equipe técnica da Aneel. A autarquia busca, dessa forma, otimizar análises de impacto ambiental, estudos de viabilidade e definição das garantias, sem misturar etapas de habilitação.
“Vão ser dois leilões instruídos de forma conjunta com provável segregação de atividades, um em outubro, provavelmente o de corrente contínua, e outro em dezembro, que será o de corrente alternada”, acrescentou o secretário.
O volume de recursos estimado — superior a R$ 50 bilhões — ultrapassa o registrado em 2026, quando oito lotes arrematados somaram aplicações relevantes em expansão da malha elétrica. Para investidores, a combinação de projetos em corrente contínua e alternada representa oportunidades distintas: grandes linhões de longa distância no modelo VSC e reforços de redes regionais no sistema tradicional.
Especialistas do setor observam que o cronograma da Aneel deverá estimular fabricantes de equipamentos e construtoras a ampliarem capacidade produtiva. As regras definitivas de cada leilão, contudo, só serão conhecidas quando as minutas de edital forem submetidas à audiência pública, o que deve ocorrer ainda no primeiro trimestre de 2027.
Até lá, analistas acompanham a tramitação de pareceres do Ibama e do Ministério de Minas e Energia sobre as novas rotas de transmissão. A expectativa é de que, com a entrada em operação dos empreendimentos arrematados em 2027, o sistema elétrico nacional ganhe maior robustez, reduzindo gargalos no escoamento de energia proveniente de fontes hidráulica, solar e eólica em crescimento no país.
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