Irmão do candidato à presidência da Câmara Baleia Rossi (MDB-SP), Paulo Luciano Tenuto Rossi é réu desde o ano passado numa ação penal eleitoral em São Paulo. Ele está com parte de seus bens bloqueados por ser acusado de receber da Odebrecht R$ 1 milhão em dinheiro vivo pago durante a campanha de 2014, por trabalhos da produtora Ilha Produção Ltda, que pertencia também a Vanessa da Cunha Rossi, esposa de Baleia.
Segundo informações da Folha de São Paulo, na denúncia da Promotoria Eleitoral de São Paulo, aberta em maio de 2020 pelo juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas, Paulo é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois, juntamente com o ex-candidato a governador Paulo Skaf (MDB), que é presidente da Fiesp (federação das indústrias de São Paulo).
De acordo com a publicação, a Odebrecht se comprometeu com o MDB a destinar R$ 6 milhões à campanha de Skaf naquele ano por meio do Departamento de Operações Estruturadas, divisão responsável por pagamentos dissimulados apelidada de “departamento de propinas”.
Dessa quantia prometida, diz a denúncia, R$ 1 milhão em espécie acabou indo para Paulo Luciano, na época contratado pela candidatura para a produção de vídeos por meio da Ilha Produção.
Vanessa Rossi e Baleia não são alvos da denúncia dos promotores e dizem não ter nenhuma relação com as acusações feitas.
A denúncia considera que, por trás do pagamento de R$ 1 milhão em espécie, havia a intenção da empreiteira de potencializar ganhos irregulares com o poder público, cooptando pretendentes a cargos eletivos.
Segundo a Folha, na época, ainda era legal a doação empresarial para candidatos. Mas para se enquadrar nas regras, o pagamento da Odebrecht deveria ser registrado à campanha de Skaf, e o comitê do candidato deveria remunerar a empresa fornecedora.
Os advogados de Paulo Luciano afirmaram que o recebimento de valores em dinheiro não representa por si só uma dissimulação de recursos de origem ilícita e que essa situação, poderia “quando muito, vir a configurar, crime contra a ordem tributária”.
A denúncia do Ministério Público também faz acusações de teor parecido contra o publicitário Duda Mendonça, responsável pela candidatura de Skaf naquele ano, e contra um dos filhos do marqueteiro. Duda, porém, já fechou acordo de colaboração com a Polícia Federal homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
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